Fazendeiro é condenado a 23 anos de prisão por matar funcionário da Celpe em Limoeiro
Tribunal do Júri considerou que homicídio teve como motivação ‘motivo fútil’ e que réu usou recurso que dificultou defesa da vítima; crime ocorreu durante ação de religação de energia elétrica em 2020
O Tribunal do Júri da Comarca de Limoeiro condenou o fazendeiro Sebastião Ayres de Assis Neto a 23 anos de prisão pelo homicídio de um funcionário da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) e por crimes cometidos contra outro trabalhador da empresa. O julgamento ocorreu na terça-feira (25) e o conselho de sentença acatou integralmente a tese do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
O réu foi condenado pelo homicídio qualificado do primeiro funcionário, com o reconhecimento das agravantes de “motivo fútil” e “recurso que dificultou a defesa da vítima”. Contra o segundo funcionário, foi declarado culpado pelos crimes de constrangimento ilegal mediante grave ameaça e cárcere privado. Sebastião Ayres também recebeu condenação por corrupção ativa.
Ataque durante serviço
O crime ocorreu em 29 de setembro de 2020, no Haras de propriedade do réu, localizado às margens da PE-95, em Limoeiro. Os funcionários da Celpe estavam no local para realizar o corte do fornecimento de energia elétrica devido a um débito de R$ 28 mil.
De acordo com as investigações, após o desligamento da energia, a situação escalou para violência, resultando no homicídio de um dos funcionários. O proprietário, então armado, ameaçou o outro funcionário para que religasse a energia da propriedade.
Após a religação, o trabalhador foi coagido a entrar no porta-malas do veículo da Celpe e foi trancado pelo fazendeiro, que fugiu do local antes da chegada da Polícia.
Atuação ministerial
A atuação do MPPE no Júri foi conduzida pelo promotor de Justiça Criminal, Lúcio Malta, que conseguiu a condenação do réu por todos os crimes imputados.
A sentença, que soma 23 anos de reclusão, reflete a gravidade dos fatos ocorridos durante o cumprimento de ordem de serviço pelos funcionários da concessionária de energia. O caso chamou atenção pela violência empregada contra trabalhadores que apenas cumpriam determinações da empresa.
A defesa do fazendeiro ainda pode recorrer da decisão. O julgamento foi acompanhado por familiares das vítimas e representantes da categoria dos trabalhadores da Celpe, que esperavam por uma resposta da Justiça cinco anos após o crime.



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