Justiça Eleitoral define regras para 2026 e pune uso irregular de IA em Pernambuco

RE-PE aperta o cerco contra “deepfakes” e organiza fiscalização de propaganda para as próximas eleições

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) deu passos decisivos na preparação para as Eleições Gerais de 2026. Em edição publicada nesta semana, a Corte definiu quem serão os juízes responsáveis por fiscalizar a propaganda de rua e determinou diretrizes rigorosas para o uso de Inteligência Artificial (IA) no debate político.

O documento também traz decisões importantes sobre as chamadas “candidaturas fictícias”, diferenciando o que é fraude à cota de gênero de campanhas que apenas não obtiveram sucesso nas urnas.

Inteligência Artificial e o combate às notícias falsas

Em uma decisão que serve de alerta para o mundo digital, o tribunal concedeu liminar determinando que a Meta Platforms remova vídeos do Instagram que utilizavam conteúdo sintético (gerado por IA) para atacar a governadora Raquel Lyra. A representação apontou que o material não possuía a rotulagem obrigatória exigida pela Justiça Eleitoral, configurando propaganda negativa antecipada. Além da remoção, a empresa deve fornecer dados para identificar os criadores dos perfis.

Regras do jogo para 2026

A Portaria nº 77/2026 já estabeleceu o tabuleiro da fiscalização para o próximo ano. Em cidades com mais de uma zona eleitoral, juízes específicos foram designados para exercer o poder de polícia sobre a propaganda. Já a fiscalização da internet, um dos maiores desafios da atualidade, ficará centralizada sob a responsabilidade de um Desembargador Eleitoral Auxiliar.

Fraude à cota de gênero: quando o tribunal absolve

O Pleno do TRE-PE analisou casos em Goiana e Triunfo sobre candidatas que tiveram poucos votos. A Justiça reafirmou que a votação baixa, por si só, não prova fraude. Se a candidata demonstrar que fez material gráfico, usou redes sociais e participou de atos de campanha, a candidatura é considerada legítima. Em Triunfo, o tribunal entendeu que partidos podem padronizar as contas de seus candidatos para buscar igualdade interna, sem que isso signifique irregularidade.

Contas reprovadas e devolução de dinheiro

O bolso de alguns políticos também foi afetado. Em Recife, um ex-candidato a deputado estadual teve as contas de 2022 desaprovadas por falta de extratos bancários e falha na comprovação de gastos do Fundo Eleitoral. O resultado foi a ordem de devolução de R$ 13.318,18 ao Tesouro Nacional.

Além disso, diversos diretórios municipais de partidos como MDB, PDT e União Brasil tiveram suas contas anuais julgadas como “não prestadas”. A punição é severa: suspensão imediata do repasse de novas cotas do fundo partidário.

Resumo das Zonas Eleitorais

CidadeAssuntoSituação
GoianaCota de GêneroCandidatura mantida (comprovou atos de campanha)
CatendeLimpeza de ArquivoAutorizado descarte de comprovantes de votação de 2024
Abreu e LimaCadastroRegularização de eleitores com dados coincidentes
Várias CidadesMultas EleitoraisAutorizados parcelamentos de débitos para eleitores

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