Liana Cirne pede que MP Eleitoral investigue fala de Valdemar Costa Neto sobre apoio de Donald Trump a Flávio Bolsonaro
Representação aponta possível articulação internacional e pede apuração de eventual influência externa no processo eleitoral brasileiro
A vereadora do Recife Liana Cirne Lins encaminhou ao Procurador-Geral Eleitoral, Paulo Gonet, uma representação em que solicita a abertura de investigação sobre declarações públicas do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto. A peça, datada de 19 de março de 2026, pede a apuração de possível abuso de poder econômico e de eventual articulação internacional envolvendo o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com reflexos no cenário político-eleitoral brasileiro.
De acordo com o documento, a iniciativa foi apresentada com base no artigo 36-A da Lei nº 9.504/1997 e em resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tratam de representações eleitorais. A vereadora sustenta ter legitimidade para provocar o Ministério Público por ser cidadã brasileira e exercer mandato eletivo municipal, com atribuição de fiscalizar a legalidade dos atos do poder público. A peça também invoca dispositivos da Constituição Federal que definem o papel do Ministério Público na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e da normalidade das eleições.
O ponto central da representação são declarações atribuídas a Valdemar Costa Neto nas quais ele afirma: “Eu espero [o apoio de Trump a Flávio]. […] Eu acredito que ele vai ajudar o Flávio, não tenho dúvida disso. Ele quer um governo de direita aqui…”. Segundo o texto, essas falas fazem referência direta a um possível apoio de Donald Trump ao senador Flávio Bolsonaro e indicam uma “expectativa de atuação política com repercussões no cenário brasileiro”. A vereadora argumenta que o próprio declarante menciona episódios relativos a “movimentações internacionais”, ainda que de forma imprecisa, o que ampliaria a incerteza sobre o real alcance das afirmações.
A representação defende que, diante da relevância institucional do cargo ocupado por Valdemar Costa Neto e da “sensibilidade do tema”, tais declarações ultrapassariam o campo de opiniões genéricas e poderiam produzir “efeitos potenciais sobre a esfera político-eleitoral”. O documento não atribui diretamente a prática de um ilícito específico, mas sustenta que a situação justifica a atuação do Ministério Público Eleitoral em caráter preventivo e prospectivo, “voltada à apuração de situações que, em tese, possam comprometer a higidez, a igualdade de oportunidades e o equilíbrio do processo eleitoral”.
No plano jurídico, o texto cita o artigo 1º da Constituição, que estabelece a soberania como fundamento da República, e o artigo 14, que prevê a edição de leis para proteger a probidade administrativa, a moralidade e a normalidade e legitimidade das eleições “contra a influência do poder econômico”. A peça também menciona a proibição de fontes estrangeiras de financiamento político, prevista na Lei das Eleições, e enfatiza a “necessidade de preservação da autonomia do eleitorado brasileiro”.
Entre os pontos destacados, a representação afirma que as declarações de Valdemar Costa Neto: “sugerem possível articulação ou expectativa de apoio político internacional”; “não esclarecem a natureza desse eventual apoio”; e “deixam dúvida objetiva quanto à existência de atos concretos em curso ou planejados”. Com isso, a vereadora pede que o Ministério Público esclareça se a “ajuda” mencionada se refere a apoio apenas retórico ou simbólico, ou se envolveria “interações institucionais, políticas ou materiais com potencial repercussão eleitoral”.
No rol de pedidos, a peça requer a instauração de procedimento investigatório eleitoral para apurar o conteúdo, o alcance e a veracidade das declarações atribuídas ao presidente do PL. Solicita ainda a oitiva de Valdemar Costa Neto, com três pontos específicos a serem esclarecidos: o significado da expressão “ajuda”; a existência de contatos, tratativas ou articulações com Donald Trump ou com pessoas a ele vinculadas; e a natureza do eventual apoio, se política, comunicacional, estratégica ou financeira. Por fim, a vereadora pede que sejam adotadas outras diligências que o Ministério Público Eleitoral considere cabíveis, “inclusive para verificar eventual articulação com agentes estrangeiros e influência externa no cenário político-eleitoral brasileiro”.
Até o momento descrito no documento, não há informação sobre manifestação do Procurador-Geral Eleitoral ou sobre eventual abertura de procedimento com base na representação.
Leia abaixo a íntegra do documento:



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