Medicamentos de Alto Custo e o SUS: O que fazer quando o tratamento é negado?

Por Elayne Barbosa Lopes*

Descobrir uma doença grave já é, por si só, uma das experiências mais difíceis da vida. Agora imagine, além de lidar com o diagnóstico, receber a notícia de que o medicamento prescrito pelo seu médico não será fornecido pelo SUS. Essa situação, infelizmente, é mais comum do que se imagina.

Mas atenção: a negativa do SUS não significa o fim do seu direito ao tratamento.

Por que o SUS nega medicamentos de alto custo?

O SUS é responsável por garantir acesso universal e gratuito à saúde, mas nem sempre todos os medicamentos estão disponíveis na lista oficial do Ministério da Saúde (a chamada RENAME).

As negativas normalmente acontecem por três motivos principais:

Medicamento não incorporado ao protocolo oficial do SUS;

Alto custo do tratamento, impactando o orçamento público;

Alegação de existirem alternativas já disponíveis na rede.

Porém, o que muitas pessoas não sabem é que a Constituição Federal assegura a saúde como direito fundamental, e isso se sobrepõe a qualquer justificativa burocrática.

O que fazer diante da negativa?

Se o SUS negar o fornecimento do medicamento, você não está de mãos atadas. Existem caminhos legais para garantir seu direito:

Peça ao médico um relatório detalhado, explicando a gravidade da doença e a necessidade daquele medicamento específico;

Colete exames e documentos que comprovem a urgência do tratamento;

Procure orientação jurídica especializada, pois é possível ingressar com uma ação judicial para obrigar o SUS a fornecer o medicamento.

Nos processos, os juízes têm entendido que a vida e a saúde do paciente não podem esperar, e determinam que o SUS forneça imediatamente o tratamento necessário, sob pena de multa.

Casos de urgência e emergência

Quando o paciente corre risco de morte ou agravamento irreversível do quadro clínico, a Justiça costuma conceder uma liminar (decisão rápida e provisória), garantindo o acesso ao medicamento em poucos dias.

Esse tipo de decisão é essencial para doenças como câncer, doenças raras e outras enfermidades em que cada dia faz diferença na chance de recuperação.

Conclusão: O seu direito é maior do que a negativa

É importante deixar claro: o direito à saúde é constitucional (art. 6º e art. 196 da Constituição Federal). Isso significa que, sempre que o SUS não cumprir com sua obrigação, a Justiça pode ser acionada para garantir o acesso ao medicamento.

Portanto, se você ou alguém da sua família recebeu uma negativa, não desanime. Com orientação jurídica especializada, é possível reverter a situação e assegurar o tratamento necessário.

*Elayne Barbosa Lopes é advogada formada desde 2016, especialista em Direito da Saúde.

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