MP investiga atrasos de salários e calote em férias em Timbaúba
Inquérito apura má gestão financeira e possível improbidade administrativa da prefeitura
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) decidiu agir contra o que descreve como um cenário de desrespeito aos direitos dos trabalhadores em Timbaúba. Por meio da 2ª Promotoria de Justiça local, foi instaurado um inquérito civil para investigar a prefeitura por “atrasos reiterados e sistemáticos no pagamento de salários e verbas alimentares”. A investigação mira não apenas a falta de pagamentos, mas uma possível “má gestão financeira” e o “desvio de prioridades administrativas” pela gestão municipal.
As denúncias, que se acumularam na Ouvidoria do MPPE entre 2025 e o início de 2026, pintam um quadro crítico para diversas categorias. Segundo o promotor Helmer Rodrigues Alves, o atraso nas verbas de natureza alimentar “compromete a dignidade da pessoa humana e o regular funcionamento dos serviços públicos essenciais”.
“Contracheque disponível, mas conta vazia”
O inquérito destaca relatos graves enviados por servidores, aposentados e profissionais de saúde. Entre as manifestações que fundamentam a investigação, o documento cita casos onde a prefeitura chegava a formalizar o documento de pagamento sem, contudo, transferir o dinheiro:
“O prefeito (…) não realizou o pagamento dos funcionários efetivos referente ao mês de dezembro de 2025 (…) no portal da prefeitura está disponível o contracheque (…) porém sem a realização do pagamento”, diz um dos trechos destacados na portaria.
Outras relatos contidos no texto ministerial reforçam a extensão do problema:
- Médicos: “Narraram acerca de atrasos no pagamento das remunerações desde ano passado”.
- Professores aposentados: “Não está pagando o dinheiro (…) na data que deveria ser pago”.
- Férias: “A prefeitura não pagou meu 1/3 de férias e não tem previsão de pagamento”.
Pressão do Ministério Público e diligências
Para o MPPE, os indícios sugerem que os atrasos não são problemas isolados, mas sim uma conduta repetida que viola princípios da administração pública, como a legalidade e a moralidade. O promotor ressalta que o conjunto de provas revela “justa causa para aprofundamento investigativo”.
Como primeiras medidas, o Ministério Público determinou:
- Requisição de informações: A prefeitura deve apresentar o cronograma de pagamentos de 2025 e 2026 e a “justificativa técnica e financeira para eventuais atrasos”.
- Pente-fino do TCE: Foi solicitada ao Tribunal de Contas do Estado a análise de relatórios e alertas sobre a gestão de pessoal em Timbaúba nos últimos três anos.
- Ouvir sindicatos: Representantes dos servidores e funcionários afetados serão convocados para detalhar a extensão do dano.



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