MP investiga salários privilegiados em Salgadinho
Suspeita de favorecimento envolve parentes do prefeito e falta de transparência na folha de pagamento
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou um inquérito civil para investigar denúncias de irregularidades na folha de pagamento da Prefeitura de Salgadinho. A investigação, conduzida pela Promotoria de Justiça de João Alfredo, foca em um suposto tratamento desigual entre servidores, com indícios de que pessoas próximas ao gestor municipal estariam recebendo salários privilegiados.
Privilégios na mira da lei
De acordo com a portaria assinada pelo promotor Paulo Fernandes Medeiros Júnior, o inquérito surge após uma “notícia de fato” apontar que a prefeitura estaria beneficiando servidores ligados ao prefeito. Entre os nomes citados estão a primeira-dama e a irmã do gestor.
As suspeitas indicam que ambas receberiam vencimentos incompatíveis com a realidade dos demais funcionários que ocupam cargos semelhantes. Além do alto valor salarial, o MP investiga a possibilidade de que essas servidoras nem sequer estejam exercendo efetivamente suas funções — o que caracterizaria os chamados “funcionários fantasmas”.
Silêncio da prefeitura
Um dos pontos que motivou o aprofundamento das investigações foi o silêncio da gestão municipal. Segundo o documento oficial, o prefeito de Salgadinho não respondeu a um ofício anterior que solicitava documentos essenciais para esclarecer os fatos.
Diante da falta de cooperação, o MPPE determinou:
- Prazo de 10 dias: O prefeito tem agora um novo prazo para enviar a documentação, sob pena de medidas judiciais.
- Varredura histórica: Foram solicitadas auditorias e pareceres à Controladoria Geral do Município e à Câmara de Vereadores sobre as folhas de pagamento e nomeações ocorridas entre 2020 e 2025.
Possíveis crimes e punições
O promotor ressaltou que, se confirmadas, as condutas violam os princípios constitucionais da moralidade, impessoalidade e legalidade. O caso pode ser enquadrado como improbidade administrativa, com base na Lei nº 14.230/2021, o que pode acarretar sanções severas aos envolvidos.
O inquérito agora seguirá com a coleta de provas documentais, possíveis depoimentos de testemunhas e perícias técnicas para analisar os critérios usados na fixação dos salários no município.



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