MPPE abre inquérito contra ex-prefeito “Pel Lages” por calote milionário em consignados

Investigação apura apropriação de R$ 1,3 milhão descontados de servidores que não chegaram aos bancos em São José da Coroa Grande

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) subiu o tom contra a gestão anterior de São José da Coroa Grande. A promotora Luciana Carneiro Castelo Branco oficializou, nesta quarta-feira (11), a abertura de um Inquérito Civil para investigar o ex-prefeito Jaziel Gonçalves Lages, o “Pel Lages”. A suspeita é de que a prefeitura tenha retido sistematicamente valores de empréstimos consignados dos servidores e “esquecido” de repassá-los aos bancos.

O esquema: Desconto na folha, dívida no banco

De acordo com a denúncia apresentada pela atual gestão municipal, o esquema teria ocorrido entre novembro de 2017 e janeiro de 2025. O funcionamento era simples e prejudicial: a prefeitura descontava as parcelas dos empréstimos diretamente dos salários dos funcionários, mas o dinheiro não chegava às instituições financeiras.

O resultado foi um rastro de prejuízos: servidores com nomes negativados indevidamente e uma dívida milionária herdada pelo município. Documentos anexados ao processo mostram cobranças pesadas de três grandes bancos:

  • Banco do Brasil: Saldo acumulado de R$ 1.042.618,74;
  • Caixa Econômica Federal: Cobrança de R$ 257.572,48;
  • Banco Bradesco: Notificações e telegramas de reiteração de dívida.

Improbidade e crime de apropriação indébita

A promotoria aponta que a conduta de Pel Lages configura, em tese, crime de apropriação indébita e improbidade administrativa. A investigação destaca que o ex-gestor teria agido de forma “consciente e deliberada”, violando princípios de honestidade e legalidade, além de causar uma lesão grave ao erário, já que a prefeitura agora deve milhões aos bancos por recursos que já haviam saído dos cofres para o pagamento de salários.

A decisão de converter a investigação em Inquérito Civil ocorreu após o Ministério Público notar a demora da Polícia Civil em responder sobre o andamento de um inquérito policial solicitado ainda em 2025.

Próximos passos e auditoria

O MPPE determinou uma série de diligências urgentes para mapear a extensão do dano:

  1. Pente-fino na folha: A prefeitura atual tem 20 dias para enviar as folhas de pagamento de 2017 a 2024;
  2. Lista de afetados: Os bancos deverão fornecer a relação de todos os servidores prejudicados pela falta de repasse;
  3. Pressão policial: Novo ofício foi enviado à autoridade policial exigindo informações sobre a esfera criminal do caso.

Se condenado por improbidade, o ex-prefeito pode enfrentar sanções que incluem a suspensão de direitos políticos e a obrigação de ressarcir integralmente os cofres públicos.

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