MPPE desarticula esquema criminoso que “inflava” eleitorado de Riacho das Almas com 700 transferências fraudulentas
Operação Domicílio Fantasma cumpre 16 mandados e investiga vereadores eleitos e candidatos por organização criminosa, corrupção de eleitores e falsificação em massa de documentos para fraudar eleições de 2024.
O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado do Ministério Público de Pernambuco (Gaeco/MPPE) deflagrou, na manhã de hoje, uma operação de combate a uma sofisticada fraude eleitoral no Agreste do estado. Batizada de “Operação Domicílio Fantasma”, a ação cumpre 16 mandados de busca e apreensão – sendo 14 contra pessoas físicas e duas contra pessoas jurídicas – nas cidades de Riacho das Almas e Caruaru.
O alvo da investigação é um grupo criminoso suspeito de ter “inflado” artificialmente o eleitorado do Município de Riacho das Almas para fraudar as eleições municipais de 2024. Entre os investigados estão vereadores eleitos, suplentes de vereadores e candidatos a cargos eletivos.
De acordo com as investigações, a organização atuava de forma coordenada para corromper eleitores de Caruaru e cidades vizinhas. A cooptação era feita por meio de ofertas em dinheiro e promessas de vantagens futuras. Até o momento, os promotores já identificaram mais de 700 eleitores que teriam sido aliciados pelo esquema.
Modus Operandi: “Selfies”, Documentos e Título Net
O coordenador do Gaeco, Promotor de Justiça Roberto Brayner, detalhou o modus operandi do grupo. “Em troca da oferta em dinheiro, a organização obtinha documentos pessoais e ‘selfies’ dos eleitores”, explicou.
Com esse material em mãos, um núcleo operacional centralizado submetia requerimentos de transferência eleitoral em massa pelo sistema “Título Net” da Justiça Eleitoral. Para completar o golpe, o grupo utilizava comprovantes de residência falsificados, criando “domicílios fantasmas” em Riacho das Almas para eleitores que sequer moravam no município, ludibriando assim o sistema de fiscalização.
Penas Poderiam Ultrapassar 27 Anos de Prisão
Os investigados respondem pelos crimes de organização criminosa, inscrição fraudulenta de eleitor, corrupção eleitoral, falsificação de documento e uso de documento falso. A soma das penas desses delitos pode ultrapassar os 27 anos de reclusão. Além da responsabilidade criminal, os envolvidos, se condenados, ficarão inelegíveis.
A operação conta com a força-tarefa do Gaeco/MPPE, atuando em conjunto com a Promotoria de Justiça Eleitoral da 41ª Zona Eleitoral e as Polícias Civil e Militar.
Primeiros Resultados
Durante as buscas nos endereços dos alvos, os policiais e promotores apreenderam diversos dispositivos eletrônicos, documentos e dinheiro em espécie. Todos os itens foram recolhidos e encaminhados para a sede do Gaeco Agreste, em Caruaru, onde servirão como prova para o aprofundamento das investigações e para a eventual responsabilização criminal dos envolvidos.
A Operação Domicílio Fantasma evidencia a atuação firme do Ministério Público no combate a crimes que atentam contra a lisura do processo eleitoral, considerado um pilar fundamental da democracia.



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