MPPE investiga esquema de empresas fantasmas e fraude em licitações em Custódia

Promotoria requisita auditoria do TCE e encaminha caso ao DRACO para apurar possível organização criminosa com envolvimento de agentes públicos

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou um Inquérito Civil para investigar a existência de um suposto esquema de empresas fantasmas e fraudes em licitações na Prefeitura de Custódia, no Sertão do estado. As investigações apontam para o possível envolvimento de agentes públicos em conflitos de interesse e favorecimento de empresas em contratos municipais.

De acordo com a Portaria de Instauração nº 01657.000.079/2024, assinada pelo promotor Matheus Arco Verde Barbosa, as investigações foram motivadas por denúncias recebidas pela Ouvidoria do MPPE (nº 1351921 e nº 1502759). Os relatos indicam que empresas estariam operando de forma fictícia, “sem sede física ou funcionários”, e que as obras estariam sendo executadas pelo próprio ente público.

Empresas Alvo das Investigações

As empresas mencionadas no inquérito são:

  • Sertãonline Provedores de Internet
  • Casa Gois Utilidades
  • Nocal Construções
  • Carvalho Construtora
  • Vieira Serviços
  • Sete Netas Locações
  • Farmácia Pereira e Simões
  • Oficina Mendes

Envolvimento de Agentes Públicos

As denúncias apontam para o possível envolvimento de altos cargos da administração municipal, incluindo:

  • secretário de Finanças
  • coordenadora da Secretaria de Saúde
  • tesoureira da prefeitura

Segundo as investigações iniciais, existiriam indícios de “conflitos de interesse e favorecimento de empresas” por parte desses agentes públicos.

Medidas Determinadas pelo MPPE

O promotor Matheus Barbosa determinou as segu providências urgentes:

  1. Solicitação ao NIMPPE (Núcleo de Inteligência do MPPE) de relatório preliminar sobre as empresas investigadas e eventuais vínculos entre seus sócios, representantes e agentes políticos de Custódia.
  2. Requisição de auditoria ao TCE-PE para análise completa dos contratos e pagamentos da Prefeitura de Custódia com as empresas citadas.
  3. Encaminhamento ao DRACO (Departamento de Repressão à Corrupção) de cópia integral dos autos para apurar a possível prática de crimes e existência de organização criminosa.

Fundamentação Legal

O inquérito foi instaurado com base nos princípios constitucionais da administração pública (legalidade, impessoalidade, publicidade, moralidade e eficiência) e na legislação federal que trata da improbidade administrativa. As práticas investigadas podem configurar atos de improbidade que atentam contra os princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade na administração pública.

Próximos Passos

O caso será acompanhado pelo Centro de Apoio Operacional (CAOP) respectivo, e cópia da portaria foi encaminhada ao Conselho Superior do Ministério Público e à Secretaria-Geral do MPPE para as devidas providências.

As investigações devem apurar ainda se as empresas denunciadas de fato operam de forma irregular e se há relação entre seus representantes e agentes públicos do município, configurando possível esquema de desvio de recursos públicos.

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