“Sem assessoria jurídica, gestor público é refém da própria inexperiência”, diz advogado Ryan Veras
Em entrevista ao podcast Causos & Causas, Ryan Veras fala sobre diferenças entre advocacia pública e privada, burocracia estatal e a evolução do perfil do advogado moderno
O advogado Ryan Veras, fundador do Ryan Veras Advocacia e ex-gestor público, defendeu em entrevista ao podcast Causos & Causas que o assessoramento jurídico deve ser tratado como “olho principal” dos gestores públicos para evitar problemas com órgãos de controle como Tribunal de Contas e Ministério Público. Com experiência na Secretaria de Turismo do Estado, Empetur e Prefeitura do Recife, Veras destacou a importância da advocacia preventiva na administração pública.
“Um jurídico bem sólido com bons profissionais evita muitos problemas para o gestor. Muitas vezes o gestor não tem interesse em praticar algo errado, mas por uma inobservância, por uma falta de conhecimento, acaba praticando um ato errado”, afirmou Veras durante a entrevista que foi ao ar nesta quarta-feira (12) no canal da ELLO TV no YouTube.
Diferenças entre advocacia pública e privada
O advogado, que também integra o conselho da OAB de Afogados da Ingazeira, explicou as principais diferenças entre atuar no setor público e privado. “Na advocacia pública existem vários atos que são exclusivos, prazos são diferentes – o ente público goza de prazos em dobro normalmente – coisas que na advocacia privada não tem”, comparou.
Veras ressaltou que o conhecimento da máquina pública representa uma vantagem competitiva na advocacia privada. “Quando você atua numa área pública e vai pro privado, você viu os dois lados da moeda. Você teve a experiência de agir enquanto administração pública, e quando vai para o privado já teve essa experiência. É algo muito enriquecedor.”
Experiência no Geraldão e burocracia estatal
Sobre sua passagem pela divisão de contratos da Prefeitura do Recife, onde atuou diretamente com a gestão do Ginásio Geraldo Magalhães (Geraldão), Veras descreveu a experiência como uma “escola” que lhe trouxe “um tamanho crescimento”.
Questionado se a burocracia brasileira é um problema de lei ou de gestão, o advogado avaliou: “Hoje já teve um pouco de evolução no meu ponto de vista. A gestão pública além de possuir uma burocracia, houve um avanço porque o cidadão está com uma ciência maior, seja através das redes sociais, seja através de leis que trazem a transparência como o portal da transparência”.
Especialização versus generalismo
Sobre o perfil do advogado moderno, Veras defendeu a especialização, mas reconheceu a realidade do interior onde muitos profissionais precisam atuar como generalistas por necessidade. “No Sertão, por exemplo, às vezes [o advogado] não consegue sobreviver somente de uma única área específica. Às vezes acaba indo para outras áreas até por uma questão de necessidade de sobrevivência.”
No entanto, ele foi taxativo: “O conselho que eu dou é: sempre busque se especializar. Eu acho que hoje o caminho é o especialista, porque você consegue redobrar a atenção, consegue enxergar coisas que um generalista não consegue”.
Linguagem jurídica acessível
Veras também abordou a importância de uma comunicação clara na advocacia. “Não adianta nada eu trazer uma linguagem totalmente técnica rebuscada que o leitor não consiga entender. No meu ponto de vista, eu não consegui ser algo prático, não passei informação. Então qual foi a minha finalidade? Só dizer que eu sou advogado, que eu falo bonito?”
Ele elogiou a evolução do Poder Judiciário nesse aspecto: “Você vê que tem uma norma em todos os tribunais para ter uma linguagem que o povo entenda. A gente tem que buscar cada dia mais falar de forma objetiva, falar de forma clara, sem trazer a questão da ‘juridiquês'”.
Conselhos para jovens advogados
Para os que desejam atuar com direito público, Veras foi direto: “Primeiro ponto: estudar bastante”. Ele recomendou a busca por estágios na área pública, mesmo que de forma voluntária. “Vá de forma voluntária. Você está investindo em você, está adquirindo conhecimento, está saindo na frente de diversos profissionais.”
Sobre a participação em comissões da OAB, ele afirmou que a experiência “ajuda porque você começa a ter contatos com pessoas que estão na área e começa a adquirir conhecimento”.
Sobre o entrevistado
Ryan Veras é fundador do Ryan Veras Advocacia, ex-integrante da comissão de empreendedorismo jurídico da OAB-PE e já atuou na Secretaria de Turismo do Estado, na Empetur e na Prefeitura do Recife, onde foi responsável pela divisão de contratos do Geraldão. Atualmente integra o conselho da OAB de Afogados da Ingazeira.



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