STF marca julgamento da ação penal contra Jair Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe

Processo que acusa ex-presidente de crimes contra Estado Democrático avança para fase decisiva; defesa alega inocência

O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu a fase de instrução do processo que apura suposta tentativa de golpe de Estado envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete de seus principais aliados. O ministro relator Alexandre de Moraes determinou nesta quarta-feira (14) o encaminhamento da Ação Penal 2.668 para julgamento na Primeira Turma da Corte.

Bolsonaro no centro das acusações

A ação movida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta o ex-presidente como líder de organização criminosa que teria atuado para:

  • Desestabilizar as instituições democráticas (art. 359-L do CP)
  • Promover golpe de Estado (art. 359-M do CP)
  • Manipular o sistema eleitoral após a derrota nas urnas em 2022

Etapas processuais concluídas

O processo reuniu provas contundentes contra Bolsonaro:

  • 15 testemunhas arroladas pela defesa do ex-presidente foram ouvidas
  • Interrogatório direto realizado em 10 de junho de 2025
  • Provas digitais incluindo gravações de reuniões ministeriais
  • Relatórios da PF sobre atos pós-eleição

Próximos passos decisivos

  1. Julgamento presencial na Primeira Turma (5 ministros)
  2. Possível recurso para o Plenário (11 ministros)
  3. Risco concreto de prisão se condenado

A estratégia da defesa

A equipe jurídica de Bolsonaro, liderada pelos advogados Celso Sanchez Vilar e Paulo Cunha Bueno:

  • Alegou ausência de provas materiais
  • Questionou a interpretação das conversas
  • Sustentou que nunca houve ordem concreta para intervenção

O peso das acusações

Se condenado, Bolsonaro enfrenta:

  • Pena de 4 a 12 anos por organização criminosa
  • Perda de direitos políticos
  • Possível prisão em regime fechado

Contexto político

O julgamento ocorre em momento sensível:

  • 3 anos após as eleições de 2022
  • Em meio às pré-campanhas eleitorais de 2026
  • Com o ex-presidente mantendo alta popularidade em pesquisas

Declaração da defesa:
“O presidente Bolsonaro sempre agiu dentro da lei. As acusações são fruto de interpretação política, não jurídica” – afirmou o advogado Celso Vilar.

Posição do MPF:
“As provas demonstram padrão sistemático de ataques à democracia com participação ativa do ex-presidente” – destacou a PGR em alegações finais.

O presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cristiano Zanin, marcou para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro.

Leia abaixo a íntegra do Despacho:

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