“Toda vez que uma mulher assume um cargo, ela tem que possibilitar que outras consigam seguir a sua linha”, afirma Ingrid Zanella

Primeira presidente mulher na história da seccional, eleita para o triênio 2025/2027, prioriza defesa financeira da categoria, celeridade processual e inovação

A primeira mulher a presidir a Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE) em mais de 90 anos de história está promovendo uma guinada na entidade. Ingrid Zanella, à frente do triênio 2025/2027, implementou uma gestão baseada em três pilares – honorários, celeridade processual e prerrogativas – e uma série de projetos inovadores, como a implantação de inteligência artificial para nivelar o acesso à Justiça e a menor anuidade do Brasil para jovens advogados: R$ 200.

A trajetória e os planos da nova presidente foram detalhados em entrevista ao podcast “Causos & Causas”, transmitido na última quarta-feira (20), no canal do YouTube da ELLO TV. Zanella, especialista em Direito Marítimo – uma das áreas mais antigas e pouco difundidas do país –, assumiu o cargo com a missão de aumentar a representatividade e modernizar a entidade.

Defesa financeira e combate à morosidade

Entre as principais medidas já implementadas está a criação da Procuradoria de Defesa de Honorários, que permite à OAB-PE ingressar como amicus curiae em processos para garantir o pagamento integral dos advogados. A gestão de Zanella já obteve uma decisão pioneira em âmbito nacional, que obriga empresas em recuperação judicial a pagarem honorários contratuais diretamente aos profissionais – e não às partes envolvidas –, eliminando uma antiga insegurança jurídica.

No front da morosidade judicial, a entidade instituiu a Central de Celeridade Processual, que recebe denúncias e atua diretamente em casos parados, com taxa de sucesso de 90%. Em breve, estará lançando um aplicativo para facilitar a movimentação processual e combater a lentidão.

Inovação e benefícios para a categoria

A redução da anuidade para R$ 200 nos cinco primeiros anos para a jovem advocacia – a menor do país – é uma das bandeiras da gestão. A medida, revertível em cursos da Escola Superior de Advocacia (ESA), foi implementada após superar resistência inicial do Conselho Federal da OAB.

A presidente também negocia a aquisição de uma ferramenta de inteligência artificial para pesquisa processual, jurimetria e elaboração de peças jurídicas, com o objetivo de democratizar o acesso à tecnologia entre advogados de pequenos e grandes escritórios.

No campo da saúde e bem-estar, foi lançado o OAB PASS, maior programa do gênero para a advocacia pernambucana, beneficiando 40 mil advogados e seus dependentes – totalizando cerca de 160 mil pessoas – com acesso a nutricionistas, psicólogos e academias.

Representatividade e legado

Zanella, que não tem origem jurídica na família e “começou do zero”, enfatiza a importância de sua eleição em um estado onde as mulheres advogadas são maioria. “Toda vez que uma mulher assume um cargo, ela tem que possibilitar que outras consigam seguir a sua linha”, declarou.

Além dos projetos para a categoria, a OAB-PE mantém atuação social ativa, com convênio recente com a Secretaria da Mulher para oferecer assessoria jurídica gratuita a vítimas de violência doméstica e de gênero.

O legado desejado por Zanella é claro: fazer com que advogados e advogadas “voltem a ter orgulho da profissão”. Com trabalho, inovação e equidade, a primeira presidente da OAB-PE escreve um novo capítulo na história da entidade.

Foto: Vivian Ramos/OAB-PE

Assista abaixo à íntegra do podcast:

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