TRT libera R$ 10,7 milhões para trabalhadores do Grupo João Santos
Recursos foram encontrados em contas judiciais esquecidas pelo Projeto Garimpo e beneficiarão 427 trabalhadores que já tinham direitos reconhecidos, mas não recebiam desde que empresa entrou em recuperação judicial
O Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6) assinou nesta terça-feira (11) um termo que libera R$ 10,7 milhões para pagar 427 trabalhadores do Grupo João Santos que tinham direitos reconhecidos pela Justiça, mas não recebiam desde que a empresa entrou em recuperação judicial. O valor foi encontrado em contas judiciais esquecidas pelo Projeto Garimpo, iniciativa que usa tecnologia para localizar recursos parados no tribunal.
O desembargador Ruy Salathiel, presidente do TRT-6, classificou o momento como “um marco de grande relevância para a sociedade pernambucana” durante solenidade que contou com representantes do Tribunal de Justiça de Pernambuco, Ministério Público do Trabalho e administração judicial do grupo empresarial.
Dinheiro esquecido devolvido aos trabalhadores
De acordo com o desembargador Eduardo Pugliesi, vice-presidente do TRT, o acordo permitirá “concluir o pagamento e efetuar a baixa definitiva de 427 processos relacionados ao Grupo João Santos que ainda constam no acervo da 3ª Vara Trabalhista de Goiana”. Esta será uma das maiores movimentações de encerramento processual na história do tribunal.
Os R$ 10.743.399,38 virão de valores depositados em contas judiciais e recursais, tanto da própria vara quanto do Projeto Garimpo. Os recursos beneficiarão trabalhadoras e trabalhadores que já tiveram seus direitos reconhecidos em decisões transitadas em julgado, mas não receberam integralmente os valores devidos devido à situação financeira do grupo.
Projeto já identificou R$ 360 milhões parados
O desembargador Paulo Alcantara, corregedor do TRT-6, explicou que o Projeto Garimpo tem sido essencial para devolver recursos à economia. “Já foram identificados cerca de R$ 360 milhões em contas paradas, e parte desse valor já foi destinada às pessoas com direito ao recebimento”, afirmou.
O projeto, que funciona desde 2019 sob comando da Corregedoria, usa tecnologia e análise de dados para encontrar valores esquecidos em contas judiciais. A iniciativa já rendeu ao TRT-6 reconhecimento nacional com o prêmio Força Tarefa Grimpa.
Impacto social para centenas de famílias
O juiz Marcelo Bacallá, titular da 3ª Vara do Trabalho de Goiana, destacou o impacto positivo da medida. “São mais de 400 famílias que serão beneficiadas. É uma satisfação ver a Justiça produzindo resultados concretos”, afirmou.
O Termo de Cooperação Judiciária foi firmado originalmente em maio deste ano durante a Semana Nacional da Execução Trabalhista. Inicialmente, o acordo previa o pagamento de cerca de R$ 23 milhões para quitar processos de 600 trabalhadores. Até o momento, aproximadamente R$ 35 milhões já foram apurados, liquidados e entregues aos credores.
A solenidade de assinatura contou com a presença de autoridades judiciárias, representantes do Ministério Público do Trabalho, diretores do Grupo João Santos e servidores do TRT-6, marcando a conclusão de um longo processo que devolverá aos trabalhadores valores há muito tempo esperados.



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