Unimed Recife na mira do MPPE: Inquérito investiga negligência grave em UTI
Falta de curativos, demora em procedimentos e agravamento de lesões motivam investigação contra a Torre 1 do hospital
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) subiu o tom contra o Hospital Unimed Recife (Torre 1). Por meio da 16ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, o órgão converteu uma investigação preliminar em Inquérito Civil para apurar denúncias alarmantes de falhas na assistência a pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A investigação, formalizada no último dia 28 de janeiro de 2026 pelo promotor Maviael de Souza Silva, baseia-se em relatos de negligência, omissão de cuidados e até falta de materiais básicos para o tratamento de pacientes em estado grave.
O drama por trás dos autos
O caso chegou ao Ministério Público após denúncia de Edgar Campelo de Moura, pai de uma paciente que esteve sob os cuidados da unidade. Segundo o processo, foram identificados indícios de:
- Falhas de enfermagem: Demora injustificada em procedimentos essenciais.
- Lesões evitáveis: Agravamento de feridas (úlceras de pressão) por falta de cuidado adequado.
- Desabastecimento: Ausência de insumos hospitalares indispensáveis.
- Atrasos técnicos: Demora na instalação de sondas e na realização de curativos prescritos.
Até mesmo a Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) entrou no circuito. Em inspeção técnica, o órgão confirmou que o hospital não possuía materiais necessários para a execução de curativos que já haviam sido prescritos pelos médicos.
Silêncio das instituições
Um dos pontos que apressou a abertura do inquérito foi o comportamento do hospital e do Conselho Regional de Medicina (Cremepe). De acordo com o MPPE, houve “reiterada ausência de resposta conclusiva” por parte da Unimed Recife e do conselho de classe, apesar das notificações enviadas anteriormente.
Diante do silêncio e da gravidade dos fatos, o Promotor de Justiça determinou que o hospital apresente imediatamente o prontuário médico completo da paciente e comprove quais medidas tomou para corrigir as falhas.
O que diz a lei
Para o MPPE, os fatos violam diretamente o Código de Defesa do Consumidor (CDC), que garante a segurança e a qualidade na prestação de serviços de saúde. Caso as irregularidades sejam confirmadas ao final do inquérito, o hospital poderá enfrentar desde multas pesadas até ações civis públicas para reparação de danos.



Publicar comentário