MPPE investiga suspeita de fraude e subavaliação em leilão público de Moreilândia

Inquérito civil apura suposta participação de parente de gestores, retirada prévia de peças e arrematação de ônibus por valores mínimos

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da Promotoria de Justiça de Exu, converteu procedimento preparatório em Inquérito Civil para apurar suspeitas de irregularidades no Processo Licitatório nº 20/2025 – Leilão Público nº 001/2025, promovido pelo Município de Moreilândia para alienação de bens móveis. A portaria, assinada pela promotora de Justiça Gabriela Tavares Almeida no dia 21 de agosto de 2026 e publicada no Diário Oficial do MPPE nesta segunda-feira (24), investiga indícios de subavaliação de bens públicos, favorecimento a arrematante com vínculo de parentesco com gestores locais, conflito de interesses e retirada prévia de peças de veículos levados a leilão.

A apuração teve início a partir da Manifestação Audívia nº 3480504, encaminhada pela Ouvidoria-Geral do MPPE. Durante os levantamentos preliminares, constatou-se que um dos participantes arrematou três lotes, entre os quais dois ônibus VW/15.190, ano 2011 (placas PEX-8589 e PFE-9260), pelos valores de R$ 10.000,00 e R$ 3.000,00, respectivamente, montantes correspondentes ao valor mínimo da avaliação. O arrematante é suspeito de possuir vínculo de parentesco com o prefeito de Moreilândia e com o secretário municipal de Transportes.

Ausência de avaliação técnica e inconsistência documental

A análise inicial dos documentos revelou fragilidades no processo de avaliação dos veículos públicos:

  • Composição da comissão: A Comissão Municipal de Avaliação de Patrimônio foi presidida pelo próprio secretário municipal de Transportes e integrada por dois motoristas.
  • Falta de laudo independente: Até o momento, não foram apresentadas avaliação técnica independente, memória de cálculo detalhada ou comprovação da qualificação técnica dos responsáveis pelas estimativas de reparação.
  • Falta de parâmetros objetivos: O Município alegou ter utilizado pesquisa regional de mercado, Tabela FIPE, fotografias e estimativas de mecânicos da garagem municipal. No entanto, o MPPE apontou que não foram individualizados os parâmetros de depreciação, cotações, custos de reparação, peças ausentes nem a fundamentação dos valores atribuídos aos ônibus.

Além disso, a Promotoria de Justiça retificou uma incorreção formal do procedimento: uma portaria datada de 10 de fevereiro de 2026, embora intitulada como “Portaria de Instauração de Procedimento Preparatório”, já havia determinado a conversão do feito em Inquérito Civil, mas a alteração cadastral no sistema não havia sido efetivada. A manutenção do Inquérito Civil foi fundamentada na necessidade de novas diligências, realização de avaliação técnica e presença de indícios já documentados.

Diligências e requisições do Ministério Público

A promotora de Justiça Gabriela Tavares Almeida determinou uma série de medidas administrativas e de instrução:

AçãoDescrição
Regularização cadastralAlteração imediata da classe processual no sistema SIM para “Inquérito Civil”.
Notificação de agentesNotificação do presidente da Comissão Municipal de Avaliação de Patrimônio, do responsável pela Comissão de Licitação e do secretário responsável pela guarda dos bens para apresentarem informações em 10 dias úteis.
Cópia do processoRequisição da cópia integral e organizada do Processo Licitatório nº 20/2025 ao Município de Moreilândia.
Perícia e fotosRequerimento dos arquivos originais de fotografias dos veículos com metadados, além do envio do caso à GEMAT para análise dos critérios e estimativa retrospectiva do valor dos ônibus.
Histórico do patrimônioEnvio de inventários patrimoniais, fichas de manutenção, ordens de serviço e registros de entrada e saída de peças entre janeiro de 2023 e a entrega dos veículos.

Após o cumprimento das diligências documentais, os autos retornarão conclusos para deliberação sobre as oitivas dos membros da comissão de avaliação, da leiloeira, de servidores da garagem municipal e do arrematante. A portaria determinou ainda a manutenção do sigilo dos dados pessoais do denunciante.

Dados do procedimento

  • Número: Inquérito Civil nº 01783.000.412/2025
  • Órgão: Promotoria de Justiça de Exu / MPPE
  • Data da assinatura e publicação: 21 de agosto de 2026 (Diário Oficial do MPPE)

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