“Eu me sinto um pouco até envergonhada”: ministra Cármen Lúcia faz crítica dura ao STF durante sessão extraordinária

Durante análise da Petição 16.662, magistrada expressa consternação com o impacto das disputas internas da Corte a poucas semanas das eleições

A ministra Cármen Lúcia manifestou profunda indignação e tristeza com o ambiente institucional do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a sessão plenária extraordinária realizada nesta terça-feira (15). Na reunião convocada para apreciar a Petição (Pet) nº 16.662, a magistrada desabafou sobre a postura do Poder Judiciário diante da sociedade brasileira, criticando o foco excessivo em disputas procedimentais e internas em um período próximo ao pleito eleitoral nacional.

Clima de consternação e mal-estar cívico

Ao tomar a palavra no Plenário, a ministra revelou que o ambiente do Tribunal e as controvérsias recentes geraram um sentimento de frustração generalizada e abalaram a imagem da instituição perante os cidadãos.

“E eu estou nessa sessão, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza. Hoje, quando os colegas me diziam se eu estava aborrecida com alguma coisa, eu disse: ‘eu estou triste’. Não apenas pelo tema que nos traz aqui, que teria sido aquele acerto decidido, mas porque este Supremo Tribunal Federal, guarda da Constituição por determinação nela expressa, provocou, acho, um mal-estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nesses últimos dias”, afirmou a ministra Cármen Lúcia.

Críticas à atuação do Judiciário no período eleitoral

Ao abordar o papel institucional do Supremo a menos de vinte dias da eleição, a magistrada lamentou que a Corte tenha gerado desassossego em vez de estabilidade, destacando a falta de serenidade no cumprimento das funções judicantes.

“Eu me sinto, e estou falando apenas por mim, quem fala pelo Supremo é Vossa Excelência, Presidente, eu me sinto um pouco até envergonhada, Presidente, de ver, num momento em que o Brasil está a menos de vinte dias da eleição, estarem todos voltados a questões do Supremo que são questões processuais em parte, com muita, muita expressão e com questões graves mesmos, mas nós não mantivemos o rigor e a serenidade que no meu papel de cidadã e juíza eu deveria ter talvez ajudado mais a promover. O Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo, e nós geramos intranquilidade, acho”, concluiu Cármen Lúcia.

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