“Coragem sem conhecimento é ousadia com terno”: criminalista fala sobre perseverança, livros e o advogado 24 horas
Em entrevista, diretor da ESA-PE e autor do livro “Pretenciosas Brevidades”, Carlos Barros, conta como a literatura ajuda a escrever petições e defende que o futuro profissional se constrói na faculdade.
“Coragem sem conhecimento é apenas ousadia com terno”. A frase, dita pelo advogado criminalista Carlos Barros em entrevista ao podcast Causos & Causas, resume a filosofia de mais de 20 anos de atuação na defesa de réus e das prerrogativas da classe. Diretor-geral da Escola Superior de Advocacia de Pernambuco (ESA-PE) e autor do livro Pretenciosas Brevidades, Barros afirma que é “advogado 24 horas” e que o futuro do profissional começa a ser traçado muito antes da carteira da OAB.
“O futuro profissional se constrói enquanto estudante”, disse Barros no episódio 37 do podcast, destacando a importância do estágio. “É nesse momento que se constrói a postura de seriedade e o reconhecimento técnico perante colegas e professores.” Ele próprio seguiu esse caminho: ingressou em um escritório criminal no primeiro período da faculdade e lá permaneceu por 12 anos, até fundar o Barros e Rocha Advocacia.
Defesa das prerrogativas e “cultura do autoritarismo”
A atuação de Barros também é marcada pela defesa das prerrogativas profissionais. Ele relembrou um caso na pandemia em que, como presidente de uma comissão da OAB, conseguiu a libertação de uma advogada presa injustificadamente em Olinda. Para ele, o desrespeito à classe advém de um “mix de cultura do autoritarismo enraizada na administração pública e desconhecimento de que as prerrogativas não são do advogado, mas do cidadão”.
“Elas são anteparos para que o advogado possa defender livremente o direito à saúde, à liberdade e à vida do cliente”, explicou, reforçando que o Estatuto da Advocacia é uma lei federal que deve ser cumprida.
Literatura como ferramenta profissional e o “primeiro júri”
Questionado sobre seu livro de aforismos, Barros contou que sempre gostou de escrever de forma concisa. A experiência literária, segundo ele, trouxe uma “vulnerabilidade satisfatória” e aprimorou sua capacidade de comunicação, algo essencial para a advocacia.
“A literatura ensina a escrever com concisão, o que é vital para ‘seduzir’ o juiz com petições que dizem tudo em poucas palavras”, afirmou. Como exemplo de perseverança técnica, narrou a história de seu primeiro júri, realizado ainda como estagiário. O cliente foi condenado, mas após anos de recursos e novos julgamentos, a defesa conseguiu extinguir a punibilidade ao provar, no terceiro júri, que o crime já havia prescrito.
ESA-PE, inteligência artificial e o “like não paga boleto”
À frente da ESA-PE, Barros disse que os pilares da gestão são a qualificação técnica de alto nível – com cursos de ministros do STJ e juristas como Zaffaroni – e a inserção de ferramentas modernas, como o uso ético da Inteligência Artificial (IA). “A IA não vai substituir o advogado, mas o advogado que não souber usar a IA será substituído por quem sabe”, alertou.
Sobre a advocacia nas redes sociais, o criminalista foi direto: “Sou contra a ‘espetacularização da tragédia humana’ ou posturas incompatíveis, como dancinhas, quando se lida com direitos fundamentais”. Para ele, o melhor marketing ainda é a qualidade do serviço. “O like não paga boleto”, resumiu.
A conversa também abordou o projeto ESA em Loco, que leva cursos ao interior em parceria com as subseccionais, e os planos para 2026, que incluem iniciativas de empreendedorismo na advocacia.



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