Recife tem pouco mais de 100 vagas em abrigos de idosos
Levantamento inédito do Ministério Público revela raio-X da rede de acolhimento na capital; setor privado concentra a maior parte da oferta.
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) divulgou nesta semana o Edital 01/2025, apresentando um mapeamento detalhado sobre a situação das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) no Recife. O documento, elaborado pelas 30ª e 46ª Promotorias de Justiça de Defesa da Cidadania, expõe a capacidade real de atendimento e o déficit de ocupação nas unidades públicas, privadas e filantrópicas da cidade.
Os dados são fruto de uma série de fiscalizações realizadas por equipes técnicas no segundo semestre de 2025. O objetivo é dar transparência à rede de cuidados e garantir que os direitos da população idosa sejam preservados.
O cenário em números
De acordo com o levantamento, a capital pernambucana possui uma rede com perfis distintos de atendimento. O setor privado é, atualmente, o maior responsável pela oferta de leitos.
Confira a distribuição das vagas:
| Tipo de Instituição | Capacidade Total | Residentes Atuais | Vagas Disponíveis |
| Públicas | 95 | 91 | 04 |
| Privadas | 688 | 618 | 70 |
| Filantrópicas | 161 | 132 | 29 |
No total, a cidade conta com 103 vagas em aberto, sendo que a rede pública opera quase no limite de sua capacidade, restando apenas quatro postos disponíveis para novos ingressos.
Guia de contatos e fiscalização
Além dos números, o MPPE atualizou a lista de instituições registradas e acompanhadas pelo órgão. O guia inclui endereços, e-mails e telefones, facilitando o acesso da população a informações sobre locais como os abrigos públicos Ieda Lucena e Lar Porto Seguro, além de entidades tradicionais como a Associação Espírita Casa dos Humildes e o Centro Geriátrico Padre Venâncio.
Próximos passos jurídicos
A publicação do edital não é apenas informativa. O Ministério Público determinou que os dados sejam anexados a todos os inquéritos civis e procedimentos administrativos de fiscalização que já estão em curso no Recife.
Para garantir que as políticas públicas sejam discutidas com base nesses dados, o órgão notificou formalmente os Conselhos Estadual e Municipal da Pessoa Idosa, o Centro de Apoio Operacional (CAO) Cidadania e as universidades federais (UFPE e UFRPE). A medida visa integrar o poder público, a academia e a sociedade civil na busca por soluções para o envelhecimento populacional na capital.



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