Serra Talhada: MPPE investiga “apagão” de atendimento no HOSPAM

Promotoria de Serra Talhada apura falha sistêmica após paciente com risco urgente esperar 4 horas e desistir de socorro

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) subiu o tom contra a gestão do Hospital Regional Professor Agamenon Magalhães (HOSPAM), em Serra Talhada. O que começou como uma denúncia individual de negligência evoluiu para um Procedimento Administrativo que investiga uma possível pane estrutural na unidade: a interrupção de serviços essenciais durante o horário de almoço dos funcionários e a falta de prontuários eletrônicos.

A portaria, assinada pelo Promotor de Justiça Carlênio Mário Lima Brandão no dia 30 de janeiro, revela um cenário crítico no fluxo de atendimento da maior unidade de saúde da região.

O caso que motivou a investigação

O inquérito tomou corpo após o relato de uma paciente, identificada pelas iniciais A. P. S. V., que deu entrada na emergência em novembro de 2025 com sintomas graves: hipertensão, dor de cabeça intensa, náuseas e dormência.

Mesmo classificada com a cor amarela (urgente, com tempo de espera máximo de 30 minutos), ela aguardou das 11h às 15h sem receber a medicação prescrita. Segundo o MPPE, a paciente desistiu do atendimento e voltou para casa sem tratamento após ouvir de funcionários que a equipe de enfermagem e o serviço social estavam em “horário de almoço” e não tinham substitutos.

“Paciente invisível”: A falha no sistema de papel

A investigação apontou que a desorganização do HOSPAM impede que a gestão saiba quem está esperando. Como o hospital ainda utiliza fichas de papel, o prontuário da paciente simplesmente “sumiu” entre a triagem e a sala de medicação.

O Promotor destaca que a ausência de um sistema informatizado torna o paciente “invisível” ao sistema, impossibilitando a identificação de gargalos e colocando em risco a vida de quem aguarda socorro.

As exigências do Ministério Público

O MPPE estabeleceu metas claras para que o hospital adeque seu funcionamento:

  • Fim das interrupções: Extinguir qualquer prática, oficial ou não, que permita a descontinuidade do serviço de urgência durante trocas de turno ou refeições.
  • Prontuário 100% Eletrônico: Implementar um sistema digital que rastreie o paciente do acolhimento à alta.
  • Busca Ativa: Criar protocolos de alerta para pacientes de risco (Vermelho, Laranja e Amarelo) que não forem atendidos no tempo previsto pelo Protocolo de Manchester.

Próximos passos

A direção do HOSPAM tem 15 dias para apresentar o organograma de escalas e informar sobre a viabilidade técnica de informatização total das prescrições. O Ministério Público também agendou uma inspeção presencial surpresa para verificar, na prática, como funciona a dinâmica do hospital nos horários de almoço e trocas de turno.

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