Buzzi nega acusações e cita histórico profissional em carta a colegas
Internado em hospital, Marco Buzzi repudia denúncias de importunação sexual e afirma que provará inocência em procedimentos abertos no STJ.
O ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), quebrou o silêncio e enviou uma carta oficial aos seus pares na Corte para rebater as recentes acusações de importunação sexual. No documento, o magistrado afirma estar “impactado” com as notícias e nega veementemente qualquer conduta irregular ao longo de sua trajetória.
Atualmente hospitalizado para acompanhamento cardíaco e emocional, Buzzi justificou seu silêncio inicial pelo estado de saúde. Segundo o ministro, as informações sobre as imputações chegaram a ele de modo informal, mas ele assegura que os procedimentos internos já instaurados serão o caminho para demonstrar que é inocente.
“Coerência biográfica” como defesa
Na mensagem enviada aos demais ministros, Buzzi destacou seu histórico de vida e os 45 anos de casamento como elementos que devem ser considerados. Aos 70 anos de idade, o magistrado pontuou que sua trajetória pessoal e profissional sempre foi pautada pela correção, sem episódios que pudessem desonrar sua família ou a magistratura.
“Esse histórico não é invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica, o que clama por cautela redobrada na apreciação das graves acusações”, escreveu o ministro no documento.
Impacto familiar e institucional
O ministro lamentou o sofrimento que as denúncias têm causado aos seus familiares, mas ressaltou que sua esposa e as três filhas permanecem “coesas” ao seu lado. Ele reforçou o pedido por prudência na análise do caso, dada a gravidade das acusações e o impacto que elas geram na imagem do Poder Judiciário.
O caso segue sob análise nos órgãos de controle competentes, onde serão colhidos depoimentos e provas para esclarecer os fatos narrados. Leia abaixo a íntegra da carta:
“Caros colegas,
Muito impactado com as notícias veiculadas e também por me encontrar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, até o momento estive calado.
De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio.
Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência.
Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência.
Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado.
Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura.
Esse histórico não é invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica, o que clama por cautela redobrada na apreciação das graves acusações.”



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