MPPE recomenda que Afogados da Ingazeira crie política de proteção animal e proíba cães perigosos sem focinheira

Promotoria de Justiça aponta omissão do município e estabelece prazo de seis meses para estruturação de centro de bem-estar, castrações e educação ambiental

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Afogados da Ingazeira, expediu uma recomendação abrangente à Prefeitura Municipal para a implementação de políticas públicas voltadas à proteção e ao manejo populacional de cães e gatos. O documento, assinado pelo promotor Vandeci Sousa Leite em 11 de maio de 2026, destaca o elevado número de animais em situação de rua e a falta de uma estrutura estatal para lidar com maus-tratos e abandono.

O município tem o prazo de seis meses para criar, via lei municipal, uma política permanente que contemple desde o atendimento emergencial até o controle reprodutivo.

As 10 diretrizes para o Bem-Estar Animal

A recomendação detalha os pilares que devem nortear a nova legislação municipal:

  1. Unidade de Atendimento: Criação de local (próprio ou conveniado) com profissionais habilitados para recepção, tratamento, castração e reabilitação de animais acidentados ou vítimas de maus-tratos.
  2. Encaminhamento Provisório: Estruturação de Centro de Bem-Estar ou Hospital Público Veterinário.
  3. Encaminhamento Definitivo: Promoção de campanhas de adoção e manutenção de abrigos para animais não reabilitados, garantindo vida digna sob custódia do Poder Público.
  4. Regulamentação da Eutanásia: Restrita apenas a casos onde não existam alternativas terapêuticas ou de adoção.
  5. Controle Populacional: Programa permanente de castração gratuita em todos os bairros.
  6. Guarda Responsável: Legislação com sanções administrativas para quem abandonar ou maltratar animais.
  7. Educação Ambiental: Campanhas periódicas sobre tutela responsável e vacinação.
  8. Orçamento Garantido: Dotação orçamentária específica para as políticas, com gratuidade total para populações de baixa renda.
  9. Conselho e Fundo Municipal: Criação de estrutura administrativa para fiscalização, conselho de proteção animal e fundo especial para custeio das ações.
  10. Segurança Pública: Obrigatoriedade, por lei, do uso de focinheira em cães de raças notoriamente perigosas em vias públicas.

Foco na Segurança e Saúde Pública

O MPPE enfatiza que a omissão no cuidado com os animais reflete diretamente na saúde humana (zoonoses) e na segurança da coletividade. A exigência de focinheira para raças como Pitbull, Rottweiler e Dobermann visa alinhar o município às leis estaduais já vigentes, prevenindo ataques em praças e parques da cidade.

Prazos e Respostas

A Prefeitura de Afogados da Ingazeira deve enviar uma resposta escrita em até 10 dias informando se acatará a recomendação e quais medidas iniciais serão adotadas. O descumprimento das orientações pode levar o Ministério Público a ajuizar ações civis públicas por omissão administrativa.

Detalhes da RecomendaçãoInformações Oficiais
ProcedimentoNº 02248.000.003/2026
PromotorVandeci Sousa Leite
Prazo para Legislação06 meses
Alvos PrincipaisControle de natalidade, abrigamento e uso de focinheiras
Data da Expedição11 de maio de 2026

A recomendação foi encaminhada também à Câmara de Vereadores e às Secretarias de Saúde e Meio Ambiente para que acompanhem a elaboração do projeto de lei e a dotação de recursos.

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