Em reflexão publicada neste domingo, especialista aponta que a via judicial costuma ser o último recurso de funcionários que exauriram tentativas de diálogo

O advogado Joelson Brito utilizou seu perfil oficial no Instagram neste domingo (17) para trazer uma análise crítica a respeito de um debate recorrente no meio corporativo: a ideia de que a legislação trabalhista seria o principal fator para a falência de empresas. Em vídeo gravado para seus seguidores, o jurista inverteu a lógica da discussão e defendeu que o litígio judicial é, na verdade, o sintoma final de uma cadeia de descumprimentos contratuais e ausência de diálogo por parte de maus empregadores.
O posicionamento do advogado gerou engajamento ao propor um olhar focado na responsabilidade social do empresariado e na dignidade do trabalhador.
O destino do dinheiro não pago
Joelson Brito iniciou o vídeo relatando uma conversa rotineira na qual ouviu a clássica afirmação de que “os direitos trabalhistas quebram as empresas”. Ao desconstruir esse pensamento, o advogado pontuou que o não pagamento de verbas obrigatórias — como horas extras, adicionais por trabalho aos domingos, depósitos de FGTS, férias e décimo terceiro salário — não representa uma economia real, mas sim a apropriação indébita do esforço alheio.
“Quando um trabalhador faz horas extras, trabalha aos domingos, não recebe FGTS, não recebe férias, décimo terceiro e vive sob pressão, sendo cobrado por metas impossíveis e não recebe por essas coisas, esse dinheiro não desaparece, ele vai para algum lugar”, alertou o advogado.
O profissional fez questão de separar o lucro legítimo da precarização do trabalho. Brito enfatizou que o empresário de sucesso deve, por direito, desfrutar de uma vida confortável, viajar e adquirir bens, desde que tais conquistas sejam decorrentes do sucesso comercial do negócio (lucro justo) e não construídas “às custas daquele que trabalhou para caramba e não recebeu o que era devido”.
A justiça como último recurso
Outro ponto central da reflexão foi a desmistificação do processo trabalhista. O advogado rebateu a tese de que os trabalhadores acionam o Poder Judiciário por mero capricho ou de forma oportunista. Segundo a experiência relatada por ele, a via judicial quase sempre é precedida por uma longa e desgastante jornada de tentativas de conciliação amigável promovidas pelo próprio funcionário.
Brito listou os estágios comuns que antecedem a abertura de uma ação na Justiça do Trabalho:
- Uma conversa inicial pacífica;
- Um pedido formal de regularização;
- Respostas evasivas da gerência (“depois a gente vê”);
- O silêncio institucional da empresa;
- Episódios de humilhação ou retaliação.
A pergunta correta a ser feita
Ao encerrar o vídeo, Joelson Brito propôs uma mudança de perspectiva para a sociedade e para o mercado de trabalho na hora de avaliar um conflito jurídico. Para ele, o foco da cobrança está invertido.
“Acho que a pergunta não deveria ser ‘por que o trabalhador entrou na justiça?’. Talvez a pergunta correta seria ‘o que fez ele chegar a tal ponto?’. Porque lutar pelo que é seu, acho que não deveria transformar ninguém em culpado”, concluiu o jurista.
A publicação abriu espaço para debates nos comentários entre trabalhadores e empreendedores sobre compliance trabalhista, saúde mental corporativa e a importância da manutenção de canais internos eficientes de resolução de conflitos nas empresas.
Assista abaixo ao vídeo na íntegra:


