Segundo Weryd Simões, defesa contestou quesitação sobre teses defensivas e afirma que Polícia Militar foi chamada para dentro do plenário durante o procedimento
O advogado Weryd Simões denunciou, em vídeo publicado em seu perfil nas redes sociais, o que classificou como uma grave violação das prerrogativas da advocacia durante uma sessão do Tribunal do Júri realizada nesta quarta-feira (7), na comarca de Glória do Goitá, em Pernambuco.
De acordo com o relato do advogado, o episódio ocorreu por volta das 18h, após um longo dia de julgamento. No momento da quesitação — etapa em que os jurados respondem aos quesitos que definem a decisão sobre a responsabilidade do réu —, o plenário teria sido transformado em uma sala reservada.
Segundo Simões, a defesa passou a questionar a formulação dos quesitos apresentados pela magistrada. O advogado afirma que, inicialmente, a juíza teria se recusado a incluir teses defensivas que haviam sido sustentadas durante o julgamento e nos debates entre acusação e defesa.
Ainda conforme a denúncia, após a defesa insistir na inclusão das teses, foi formulado o quesito obrigatório de absolvição. Os jurados teriam rejeitado a absolvição por 4 votos a 3, acolhendo a tese apresentada pelo Ministério Público.
O ponto mais grave relatado pelo advogado teria ocorrido na sequência, quando a defesa pretendia que fosse submetido aos jurados o quesito referente à inimputabilidade do réu.
Defesa afirma ter pedido registro em ata
Weryd Simões afirma que a magistrada teria se recusado a formular o quesito sobre a inimputabilidade. Diante disso, segundo o advogado, a defesa se insurgiu e solicitou que a situação fosse registrada em ata.
Foi nesse momento, de acordo com o relato publicado pelo advogado, que a promotora de Justiça teria determinado a um servidor que chamasse policiais militares para ingressarem no espaço onde ocorria a quesitação.
“Mais de seis policiais ingressaram no plenário”, afirmou Simões no vídeo, classificando a medida como uma violação das prerrogativas da defesa.
O advogado sustenta que a entrada dos policiais ocorreu enquanto os jurados ainda estavam presentes e que a situação teria comprometido a regularidade e a serenidade do ambiente destinado à votação dos quesitos.
Simões afirma ainda que, diante da presença da Polícia Militar, a banca defensiva decidiu deixar o plenário.
Advogado diz que outra profissional foi nomeada para continuar a defesa
Na sequência do relato, o advogado afirma que a magistrada teria chamado outra advogada, que, segundo ele, não conhecia os autos e não havia sido constituída pelo réu, para assumir a defesa e dar continuidade à quesitação.
“E o réu restará condenado por todos os crimes nos termos da pronúncia”, afirmou Simões no vídeo, ao criticar a condução do julgamento.
O advogado classificou o episódio como uma violação das prerrogativas profissionais e pediu apoio de outros integrantes da advocacia.
“A juíza estava presente”, afirma advogado
Outro ponto destacado por Simões diz respeito à atuação da magistrada diante da entrada dos policiais.
Segundo ele, a juíza estava presente no momento da entrada da Polícia Militar e posteriormente teria solicitado que os agentes deixassem a sala. O advogado, porém, afirma que, naquele momento, os jurados já haviam presenciado a intervenção policial.
“Os policiais ingressaram na sala e posteriormente a juíza convidou os policiais a saírem da sala, quando todos os jurados já estavam contaminados e presenciaram essa conduta aviltante contra a advocacia”, declarou.
A expressão “contaminados” integra o relato do próprio advogado e foi utilizada por ele para descrever o impacto que, em sua avaliação, a presença dos policiais poderia ter causado sobre o ambiente do julgamento.
Denúncia ainda depende de esclarecimentos oficiais
Até o momento, o relato apresentado por Weryd Simões nas redes sociais constitui a versão da defesa sobre os acontecimentos. A denúncia envolve a atuação de uma magistrada, de uma promotora de Justiça, de policiais militares e de uma advogada nomeada para atuar no caso.
Eventuais registros em ata, decisões proferidas durante a sessão, documentos do processo e manifestações oficiais das instituições envolvidas poderão esclarecer a dinâmica do episódio e permitir a análise jurídica das condutas apontadas pelo advogado.
A entrada de policiais em um ambiente de julgamento, a interrupção da atuação da defesa e a eventual substituição de advogado durante a fase de quesitação são questões que podem ter repercussões sobre o exercício da defesa e sobre a própria regularidade do procedimento do Tribunal do Júri, mas a caracterização de eventual violação de prerrogativas ou nulidade processual depende da análise dos fatos concretos e dos registros oficiais do processo.
No vídeo, Weryd Simões encerra o relato fazendo um apelo à advocacia: “Nós somos indispensáveis à administração da Justiça”, afirmou.
O Causos & Causas poderá atualizar a reportagem caso sejam apresentadas manifestações oficiais da magistrada, do Ministério Público, do Tribunal de Justiça de Pernambuco, da Polícia Militar ou de outros envolvidos.


