Líder religioso de Igarassu acumula quarta condenação por discurso de ódio em ação do MPPE
Penalidades somam 12 anos de prisão e R$ 133 mil em indenizações por crimes de racismo e transfobia
Um líder religioso atuante na Região Metropolitana do Recife foi condenado pela quarta vez por praticar crimes de ódio contra comunidades tradicionais e pessoas LGBTQIAP+. As decisões judiciais, obtidas através de ações do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), totalizam 12 anos de prisão em regimes aberto e semiaberto, além de indenizações que ultrapassam R$ 133 mil.
A condenação mais recente, datada de 6 de agosto, refere-se a uma transmissão ao vivo realizada em 2021, na qual o acusado dirigiu ataques transfóbicos contra uma artista trans durante crítica a evento cultural apoiado pela prefeitura. A 2ª Vara Criminal de Igarassu determinou pena de seis anos e três meses de reclusão em regime semiaberto, além de indenização de R$ 16,5 mil por danos morais.
Apenas três dias antes, o mesmo juízo havia proferido sentença condenatória por injúria racial qualificada contra um dançarino, com o religioso utilizando termos como “macumbeiros” e “feiticeiros” em redes sociais. A pena somou três anos e nove meses de detenção em regime aberto, com indenização equivalente.
As demais condenações incluem:
- 12/07/2025: Discriminação contra o candomblé em Paulista (ofensas ao orixá Ogum)
- 11/09/2023: Racismo religioso com associação de tradições africanas a “demônios” (R$ 100 mil para fundo de combate à intolerância)
O promotor José da Costa Soares, titular da 1ª Promotoria de Igarassu e autor das ações, destacou que “invocar liberdade religiosa para pregar intolerância constitui um contrassenso jurídico”. As denúncias contaram com apoio técnico do Núcleo de Enfrentamento ao Racismo do MPPE.
O caso segue em tramitação para cumprimento das penas e possível recurso da defesa.
Foto: ilustrativa/Freepik



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