Promotoria recomenda uso proporcional da força policial no 31º Grito dos Excluídos e Excluídas
Recomendação formal à Polícia Militar destaca necessidade de identificação obrigatória dos agentes e priorização do diálogo durante manifestações de 7 de setembro no Recife
A 7ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital emitiu recomendação formal à Polícia Militar de Pernambuco para garantir o uso proporcional da força e a correta identificação dos agentes durante as manifestações do dia 7 de setembro. O documento, publicado nesta terça-feira (2), orienta a corporação a priorizar o diálogo e evitar excessos no policiamento do “31º Grito dos Excluídos e Excluídas” e outros atos públicos.
A recomendação, assinada pelo promotor com atuação na Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, baseia-se no Procedimento Administrativo nº 02007.000.119/2020, que acompanha permanentemente a atuação da PMPE em eventos públicos. O texto cita expressamente a necessidade de compatibilizar a segurança com o direito à livre manifestação.
Princípios fundamentais
O documento estabelece que a força policial deve ser exercida observando os princípios da:
- Legalidade
- Necessidade
- Razoabilidade
- Proporcionalidade
- Precaução
- Responsabilização
- Não discriminação
A recomendação destaca que “o emprego de arma de fogo será medida de último recurso” e determina a “normatização e fiscalização da identificação dos profissionais de segurança pública, de forma a possibilitar a individualização de suas ações durante o serviço”.
Proteção aos direitos fundamentais
O texto reforça a obrigação constitucional de preservar:
- O direito à vida e à integridade física
- A liberdade de expressão e manifestação do pensamento
- O direito de reunião pacífica em locais públicos
- A dignidade da pessoa humana
A promotoria recomenda ainda que a PMPE evite “métodos que provoquem sofrimento desnecessário” e não tolere “o uso abusivo ou arbitrário da força e o emprego inadequado de armas e de instrumentos de menor potencial ofensivo”.
Referência internacional
A recomendação cita o “Código de Conduta das Nações Unidas para os Responsáveis pela Aplicação das Leis” e outros tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário, reforçando o compromisso com padrões internacionais de conduta policial.
O documento serve como orientação preventiva para garantir que as manifestações do 7 de setembro ocorram de forma pacífica, com respeito aos direitos de manifestantes e à atuação adequada das forças de segurança.



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