Júri condena ex-militar a 27 anos por morte de esposa em Belo Jardim

Após três anos do desaparecimento de Lúcia Maria de Melo, tribunal acolheu tese de feminicídio; defesa alegou que vítima teria abandonado o lar voluntariamente

Felipe Ruan Bezerra Cabral, ex-militar de 30 anos, foi condenado a 27 anos e 5 meses de prisão pelo assassinato de sua esposa, Lúcia Maria de Melo, ocorrido em agosto de 2022. O júri popular, realizado na quarta-feira (24) no Tribunal do Júri de Belo Jardim, no Agreste pernambucano, considerou provado o crime de feminicídio qualificado e ocultação de cadáver.

O caso, que havia ganhado repercussão nacional e sido comparado localmente ao episódio envolvendo o goleiro Bruno, teve seu desfecho após três anos do desaparecimento da vítima. O corpo de Lúcia Maria nunca foi localizado.

Durante o julgamento, a acusação, representada pelo promotor Luis Sávio Loureiro, apresentou como provas perícias, depoimentos de testemunhas e o que classificou como “contradições do réu”. A defesa, conduzida pelos advogados Lielson Pontes e Weryd Simões, sustentou a “negativa de autoria” e afirmou que Lúcia Maria teria “abandonado o lar conjugal por vontade própria”.

Os debates se estenderam até a noite, quando o juiz Leonardo Costa de Brito proclamou a sentença após o Conselho de Sentença acolher integralmente a tese do Ministério Público. A defesa informou que recorrerá da decisão por meio de apelação.

Em nota, o promotor Luis Sávio Loureiro descreveu a decisão como “um passo importante para garantir que crimes de feminicídio sejam julgados com o rigor necessário”. O caso teve acompanhamento do Núcleo de Apoio ao Júri (NAJ) do MPPE e do Grupo de Apoio às Promotorias de Justiça do Agreste (GAP Agreste).

O crime ocorreu na madrugada de 6 de agosto de 2022, na residência do casal no bairro Ana Evangelista de Souza, onde Lúcia Maria, então com 25 anos, foi vista pela última vez.

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