Magistrado e palestrante relata ter sido hostilizado em restaurante na capital gaúcha após pedir informações sobre prato regional
O juiz de direito, professor e palestrante Francisco Tojal usou suas redes sociais para denunciar um episódio de xenofobia sofrido em Porto Alegre (RS). O relato foi feito por meio de um vídeo em seu perfil no Instagram, no qual o magistrado descreve ter sido hostilizado e verbalmente atacado por conta de sua origem e sotaque nordestinos.
Entenda o caso
Segundo o relato, o episódio ocorreu logo após seu desembarque na capital gaúcha, onde Tojal cumpre agenda profissional para proferir uma palestra na Escola da Magistratura sobre a escalada da violência de gênero na infância e na adolescência.
Ao chegar ao hotel e decidir jantar no restaurante do local antes de ir para o quarto, o magistrado solicitou informações à atendente sobre um prato típico sugerido por ela, o tradicional “À la minuta”. Nesse momento, Tojal relata ter sido interrompido por um cliente de uma mesa vizinha:
Início da abordagem: O homem teria questionado em tom de deboche: “De que país você é, que você não conhece A La Minuta?”.
Reação e agressões: Ao responder com seriedade que não tinha a obrigação de conhecer a culinária local, o juiz foi alvo de xingamentos, palavrões e associações a grupos políticos por parte do agressor, que se levantou para confrontá-lo.
Defesa da identidade e rejeição ao preconceito
Em seu pronunciamento, Francisco Tojal enfatizou que o incômodo do agressor não decorreu do desconhecimento sobre o prato, mas sim de sua origem geográfica e sotaque. Ele destacou o orgulho de suas raízes e citou personalidades nordestinas para defender a contribuição da região ao país:
“Ali ficou claro para mim: o incômodo dele não era pela comida, era pelo meu sotaque, era pela minha origem. O Sul é terra de gente acolhedora, mas nenhum cidadão brasileiro deve ser hostilizado no seu próprio país por ser de onde é. A existência, a dignidade e a identidade do outro não podem ser negociadas! (…) Eu sou nordestino com muito orgulho! Nordeste é terra de gente trabalhadora, de gente inteligente, de gente dedicada, de gente comprometida com a valorização do ser humano.”
O magistrado mencionou nomes como Jorge Amado, Nise da Silveira, Gal Costa, Maria da Penha e Maria Bethânia como referências da cultura e história nordestinas, reforçando que preconceito é crime e exigindo a construção de um ambiente de respeito e harmonia diante das diferenças.


