MPPE investiga suposto esquema de “rachadinha” e desvio de verbas no Cemitério Municipal de Pesqueira

Inquérito civil apura devolução forçada de horas extras por servidores à chefia e notifica prefeitura após inércia do município

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Pesqueira, converteu uma Notícia de Fato no Inquérito Civil nº 02256.000.142/2025 para investigar a suposta prática de “rachadinha” e desvio de verbas públicas no Cemitério Municipal de Pesqueira. As informações foram extraídas do Diário Oficial Eletrônico do MPPE publicado nesta quinta-feira (17).

A portaria de instauração foi assinada pelo promotor de Justiça Sérgio Roberto Almeida Feliciano em 16 de setembro de 2026. O procedimento teve origem em um declínio de atribuição encaminhado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT/PTM Caruaru) e apura a imposição de devolução forçada de adicionais de horas extras pagos aos servidores do setor em benefício da chefia imediata, identificada nos autos como “Sr. Jailson”, administrador do cemitério.

Inércia municipal e exigência de garantias aos denunciantes

A conversão do procedimento preparatório em inquérito civil ocorreu após a Prefeitura Municipal de Pesqueira não responder ao Ofício nº 02256.000.142/2025-0001, enviado em 8 de outubro de 2025, além do esgotamento do prazo legal da Notícia de Fato. A conduta investigada se enquadra, em tese, como ato de improbidade administrativa por lesão ao erário, enriquecimento ilícito e violação aos princípios da administração pública, com base nos artigos 9º, 10 e 11 da Lei nº 8.429/1992.

A Promotoria de Justiça determinou a manutenção do sigilo estrito sobre os dados qualificativos do denunciante original para evitar retaliações no âmbito municipal. O documento oficial destaca a advertência feita à gestão local:

“Faça constar em destaque no corpo do ofício que a inércia, o retardamento injustificado ou a recusa na remessa das informações requisitadas configurará a prática do crime previsto no art. 10 da Lei da Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/1985), bem como ensejará a responsabilização direta da autoridade por ato de improbidade administrativa, sujeitando-a às medidas judiciais cabíveis de forma imediata.”

Requisições e desdobramento na esfera criminal

O promotor determinou o envio de ofício com aviso de recebimento ao prefeito de Pesqueira, Marcos Luidson de Araújo, estabelecendo o prazo improrrogável de 10 dias úteis para a entrega de documentos e informações. Os dados solicitados e os encaminhamentos do órgão são os seguintes:

ÂmbitoDeterminação / Documentação Requisitada
Identificação do GestorQualificação completa, matrícula, cargo e cópia do ato de nomeação/contratação do “Sr. Jailson”.
Quadro de PessoalRelação nominal, cargos, matrículas e tipo de vínculo de todos os servidores do Cemitério Municipal.
Dados FinanceirosFichas financeiras analíticas dos servidores com destaque para os valores pagos como horas extras.
Controle de JornadaCartões de ponto físicos ou eletrônicos e justificativas administrativas das horas extraordinárias.
Procedimentos InternosInformação sobre a abertura de sindicância ou Processo Administrativo Disciplinar (PAD) na prefeitura.
Esfera CriminalEnvio de cópia integral dos autos ao órgão do MPPE com atribuição criminal em Pesqueira para apurar eventuais crimes de concussão, peculato-desvio e crime da Lei de Ação Civil Pública.

Dados do procedimento

  • Número: Inquérito Civil nº 02256.000.142/2025
  • Órgão: 1ª Promotoria de Justiça de Pesqueira/PE
  • Data da Portaria: 16 de setembro de 2026 (DOMPPE de quinta-feira (17))
  • Promotor de Justiça: Sérgio Roberto Almeida Feliciano
  • Investigados: Município de Pesqueira e “Sr. Jailson” (Administrador do Cemitério Municipal)
  • Prazo de Conclusão: 1 (um) ano

Foto: Google Street View

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima
Verified by MonsterInsights