Pix e cartão de crédito: o que pode cancelar o seu BPC?
Movimentações bancárias frequentes podem levar o INSS a entender que o beneficiário possui outras fontes de renda e suspender o pagamento.
O Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas) tem sido alvo de monitoramento rigoroso por parte do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O alerta da vez, destacado pela advogada previdenciarista Luana Andrade em colaboração com o Causos & Causas, foca em um hábito comum, mas perigoso: o uso indiscriminado de chaves Pix e cartões de crédito.
Por se tratar de um benefício assistencial voltado a idosos acima de 65 anos ou pessoas com deficiência de baixa renda, o BPC exige a comprovação de miserabilidade. Quando o sistema identifica movimentações financeiras que ultrapassam o perfil declarado no Cadastro Único (CadÚnico), o sinal de alerta é ligado.
Os principais riscos no radar do INSS
De acordo com a especialista, o cruzamento de dados bancários permite que o governo identifique fluxos financeiros incompatíveis com a natureza do auxílio. Confira os pontos de maior risco:
- Recebimento frequente de Pix: Valores transferidos por familiares ou amigos com regularidade podem ser interpretados pelo INSS como “renda extra” ou suporte financeiro fixo, descaracterizando a necessidade do benefício.
- Empréstimo de nome para terceiros: Compras de alto valor feitas por outras pessoas no cartão de crédito do beneficiário sugerem um poder aquisitivo superior ao limite permitido por lei.
- Movimentações atípicas: Entradas de dinheiro sem justificativa clara podem levar o órgão a instaurar um processo de revisão ou até o cancelamento imediato do pagamento.
Como evitar a suspensão do benefício
A recomendação jurídica é manter a vida financeira o mais organizada e transparente possível. “Manter o BPC sob a vigilância das movimentações bancárias é como cuidar de um reservatório de água em tempos de seca: qualquer entrada extra que pareça uma ‘chuva’ inesperada de dinheiro pode fazer o órgão fiscalizador acreditar que você não precisa mais daquele auxílio para sobreviver”, explica Luana Andrade.
Para não cair no pente-fino, o beneficiário deve evitar que sua conta bancária seja utilizada por terceiros e manter os dados do CadÚnico sempre atualizados. Caso o benefício seja suspenso por esse motivo, o segurado tem o direito de apresentar defesa administrativa para comprovar a origem dos valores e a sua real condição de vulnerabilidade.



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