Ministério Público investiga suposta prática de “rachadinha” e desvio de servidores em Jaboatão dos Guararapes

Inquérito Civil apura irregularidades no repasse de salários de comissionados e uso de funcionários públicos para fins particulares

A 4ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Jaboatão dos Guararapes instaurou um Inquérito Civil para investigar denúncias de corrupção administrativa e desvio de finalidade no município. O procedimento, registrado sob o número 02142.000.313/2022, foca na apuração de condutas que configuram, em tese, atos de improbidade administrativa.

O objeto central da investigação é a prática conhecida popularmente como “rachadinha”, além do uso irregular da máquina pública para interesses privados.

Entenda os pontos da investigação

A promotoria busca reunir provas sobre duas irregularidades principais relatadas no âmbito da administração municipal:

  1. Exigência de Repasse de Remunerações (“Rachadinha”): A investigação apura se servidores ocupantes de cargos comissionados (de livre nomeação e exoneração) estariam sendo coagidos ou orientados a devolver parte de seus salários a superiores hierárquicos ou terceiros.
  2. Desvio de Finalidade de Servidores: O inquérito também analisa denúncias de que servidores públicos estariam sendo desviados de suas funções oficiais para prestar serviços de natureza particular, beneficiando interesses privados em detrimento do interesse público.

O que é a “Rachadinha”?

O termo refere-se ao desvio de salário de assessores ou servidores, onde o funcionário repassa parte de seu vencimento para o parlamentar ou gestor que o nomeou. No âmbito jurídico, essa prática pode ser enquadrada em diversos crimes e ilícitos civis.

Possíveis enquadramentos legais:

  • Improbidade Administrativa: Enriquecimento ilícito e violação aos princípios da administração pública (Lei nº 8.429/1992).
  • Peculato: Apropriação de dinheiro ou bem público.
  • Concussão: Exigir vantagem indevida em razão da função pública.

Próximos passos e penalidades

Com a conversão em Inquérito Civil, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) possui poderes instrutórios para:

  • Requisitar documentos oficiais e folhas de pagamento;
  • Convocar servidores e testemunhas para depoimentos;
  • Solicitar quebra de sigilo bancário ou fiscal, caso necessário e autorizado judicialmente.

Caso as irregularidades sejam confirmadas, o MPPE poderá ajuizar uma Ação Civil Pública contra os responsáveis. As sanções para os envolvidos podem incluir a perda da função pública, suspensão dos direitos políticos, pagamento de multa civil e a obrigação de ressarcir integralmente o erário pelos valores desviados.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima
Verified by MonsterInsights