TCE-PE multa ex-presidentes da Câmara de Taquaritinga do Norte por farra de diárias e falta de comprovação

Auditoria identificou 127 viagens à ALEPE com justificativas genéricas e gastos em cidades turísticas sem avaliação de custo-benefício

O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) julgou regular, com ressalvas, a auditoria especial realizada na Câmara Municipal de Taquaritinga do Norte, referente aos exercícios de 2022 a 2025. O Acórdão T.C. nº 858/2026, relatado pelo Conselheiro Substituto Luiz Arcoverde Filho, aplicou multas aos ex-presidentes da Casa por falhas graves no controle de dinheiro público destinado a viagens e congressos.

Viagens à ALEPE e justificativas “vazias”

A auditoria identificou um padrão preocupante: o uso reiterado de justificativas genéricas para deslocamentos. Foram registrados 127 deslocamentos à Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE) sem que houvesse a motivação individualizada de cada ida. Segundo o tribunal, essa prática torna inviável o controle da finalidade pública da despesa.

Além disso, o TCE-PE apontou que vereadores participaram de eventos em cidades turísticas fora do estado, mesmo havendo cursos de capacitação similares em localidades mais próximas, o que fere o princípio da economicidade.

Falta de certificados e “marketing político”

Outro ponto crítico foi o descumprimento do próprio Decreto Legislativo da Câmara (nº 14/2022). O tribunal constatou a ausência de certificados de participação em diversos eventos. Também foi verificado que alguns congressos pagos com dinheiro público continham temas voltados a estratégias eleitorais e marketing político, o que é vedado por lei.

Condenações e Multas

O tribunal decidiu aplicar multas aos gestores dos períodos onde as irregularidades foram mais acentuadas:

  • José Ademir Martins (Gestão 2022): Multa de R$ 5.641,39.
  • Amilton Cícero da Silva (Gestão 2023-2024): Multa de R$ 5.641,39.
  • Guilherme Henrique Mendes de Farias (Gestão 2025): Recebeu quitação (foi inocentado), pois o tribunal entendeu que ele herdou práticas consolidadas e não houve tempo para correções ou alertas prévios.

Determinações para o Futuro

Para evitar que a Câmara continue sendo alvo de sanções, o TCE-PE impôs medidas imediatas:

DeterminaçãoO que deve ser feito
Justificativa IndividualizadaIndicar órgão visitado, pauta da reunião e resultado esperado.
Glosa de PagamentoCortar o pagamento se não houver certificado ou comprovante de comparecimento.
Revisão de ValoresAdequar o valor das diárias aos custos reais de hotel e comida (caráter indenizatório).
Veto a MarketingProibição de eventos com conteúdo eleitoral ou pessoal.

Detalhes da Sessão:

A decisão foi tomada à unanimidade pela Primeira Câmara em 12 de maio de 2026. Estiveram presentes, além do relator, os conselheiros Valdecir Pascoal e Ranilson Ramos, com a presença do procurador do Ministério Público de Contas, Dr. Guido Monteiro.

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