Jurista discute o papel da defesa como limite ao poder estatal e compartilha experiências de três décadas de carreira no Tribunal do Júri

O advogado Jorge Wellington foi o convidado do episódio 54 do podcast Causos & Causas, transmitido pelo canal da ELLO TV no YouTube na última quinta-feira (30). Durante a entrevista conduzida por André Luis, o especialista em Direito Criminal e ex-procurador nacional adjunto de prerrogativas do Conselho Federal da OAB abordou os bastidores da prática jurídica, os desafios éticos da profissão e a importância da proteção dos direitos da advocacia para a manutenção do Estado Democrático de Direito.
O papel institucional do advogado e a estrutura do Estado
Durante o diálogo, Jorge Wellington analisou a relação entre o defensor e o aparato punitivo estatal. Para o advogado, o profissional do Direito atua como uma salvaguarda necessária contra possíveis excessos do poder público. Ele explicou que a função não se confunde com o julgamento do mérito da causa, mas sim com a garantia do devido processo legal.
“O papel do advogado não é condenar nem absolver, mas garantir direitos e um julgamento justo, tratando os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual para alcançar a justiça”, afirmou o entrevistado.
Wellington utilizou uma metáfora para descrever essa relação: “Somos como um pequeno espinho que fura o pé do elefante (o Estado) para que ele não esmague a formiguinha (o cidadão)”.
Defesa das prerrogativas e desafios da carreira
O entrevistado diferenciou as prerrogativas profissionais de privilégios pessoais, definindo-as como garantias para que o cliente seja defendido sem receios. Ele citou casos de violações recentes e destacou que o advogado deve manter o respeito institucional, mas agir com firmeza quando o trabalho é cerceado por autoridades.
Sobre os bastidores da profissão, Wellington descreveu o que chama de “advocacia que ninguém vê”, referindo-se ao trabalho técnico e intelectual contínuo:
“A ‘advocacia que ninguém vê’ são as noites sem sono, a solidão, o estudo esmerado para construir teses, prazos e recursos que exigem alto conhecimento técnico. É necessário preparo intelectual e, fundamentalmente, preparo emocional.”
Trajetória no Tribunal do Júri e perspectivas futuras
Com 30 anos de exercício profissional, o advogado compartilhou que o nervosismo antes de um júri permanece o mesmo de seus primeiros casos. Relembrou momentos marcantes, como sua atuação na assistência de acusação no “Júri Épico de Judas”, um evento que misturou arte e técnica jurídica para exercitar a oratória.
Questionado sobre a possibilidade de integrar o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) através do Quinto Constitucional, Jorge Wellington afirmou que está disposto a colocar seu nome à disposição da advocacia pernambucana se houver convergência da classe. Ele ressaltou que sua prioridade seria levar ao tribunal a visão humanizada de um advogado com origem no interior e experiência no atendimento direto ao jurisdicionado.
Ao final, definiu sua visão de sucesso na área jurídica de forma pragmática: “A glória de um trabalho ético deve vir antes do pão”.


