Gilmar Mendes e André Mendonça trocam acusações em bate-boca durante julgamento no STF

Decano do STF aponta “viés político-eleitoral” e relator reage chamando o magistrado de “leviano” em sessão plenária

O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) registrou um áspero confronto verbal entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça nesta terça-feira (15), durante a sessão extraordinária destinada ao julgamento da Petição (Pet) 16.662. A discussão ocorreu no momento em que o decano criticava a condução do processo, apontando interferência nas eleições e na imagem institucional do tribunal.

O bate-boca teve início quando o ministro Gilmar Mendes sustentou que a atuação e a escolha de datas no processo continham motivações políticas, o que provocou a reação imediata e ríspida do relator da matéria, ministro André Mendonça.

Alegação de viés político e reação no Plenário

Durante a sua fala, o ministro Gilmar Mendes questionou os critérios adotados na condução da Pet 16.662, afirmando que o tema estaria sendo instrumentalizado e arrastando a Suprema Corte para o cenário das disputas eleitorais.

“A pergunta não é saber se este ou aquele ministro deve ser investigado. A pergunta é se continuaremos a admitir que o rigor da persecução penal seja distribuído conforme a identidade do investigado. E aí, com todas as vênias e toda a sinceridade, Presidente, é evidente… é evidente… e até as pedras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos autos desta PET 16.662. Com toda a sinceridade. Escolha de datas, 7 de setembro, todo esse cenário… envolvendo esta Corte em campanha eleitoral…”, afirmou Gilmar Mendes.

Diante do apontamento de viés político-eleitoral, o ministro André Mendonça interrompeu a manifestação do colega:

“Vossa Excelência está sendo leviano, Ministro Gilmar. Leviano! Leviano!”, rebateu André Mendonça.

Intervenção da Presidência e escalada do debate

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, interveio no momento da interrupção para manter a ordem da sessão e pediu que a palavra permanecesse com o decano para a conclusão de seu raciocínio: “Vamos aguardar. Eu vou conceder a palavra a Vossa Excelência.”

Mesmo com a tentativa de mediação da Presidência, a troca de acusações entre os dois ministros prosseguiu no Plenário:

Gilmar Mendes: “Vossa Excelência não tem a palavra! (…) E vai escutar com tranquilidade! Evidente condução político-eleitoral! Escolha do 7 de setembro, até pichulecos! Isto não se faz! Pessoas decentes não fazem isso!”

André Mendonça: “Não aponte o dedo para mim, Ministro Gilmar. Não aponte o dedo! Não está falando com qualquer um. Respeite este Tribunal.”

Gilmar Mendes: “Quem não se dá ao respeito não merece respeito!”

Foto: reprodução/YoutTube

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