Justiça condena dois réus a mais de 100 anos de prisão cada pela Chacina de Poção

Júri, que durou mais de 16 horas, considerou provada a participação de três homens na execução de conselheiros tutelares e de uma avó; mandante e outros dois réus terão novo julgamento em fevereiro.

Em um julgamento que começou na manhã de quarta-feira (10) e só terminou nas primeiras horas da madrugada desta quinta (11), o Tribunal do Júri da Capital condenou dois réus a 101 anos e 4 meses de prisão cada pela participação na Chacina de Poção, crime que chocou Pernambuco em 2015 com a execução de três conselheiros tutelares e de uma avó. Um terceiro acusado recebeu pena de 12 anos e 6 meses.

Os condenados são Egon Augusto Nunes de Oliveira e Orivaldo Godê de Oliveira, sentenciados pela prática de quatro homicídios qualificados. O júri considerou provado que os crimes foram cometidos mediante paga, por motivo torpe, à traição e para assegurar a impunidade de outro delito. Já Ednaldo Afonso da Silva foi condenado apenas pelo homicídio simples de um dos conselheiros, sendo absolvido dos outros três assassinatos.

O caso remonta a 6 de fevereiro de 2015, no Sítio Cafundó, zona rural de Poção, no Agreste pernambucano. Por volta das 18h30, o carro do Conselho Tutelar foi interceptado em uma emboscada. Dentro do veículo estavam os conselheiros José Daniel Farias MonteiroLindenberg Nóbrega de Vasconcelos e Carmem Lúcia da Silva, além de Ana Rita Venâncio, avó materna de criança de 3 anos – única sobrevivente do ataque. Foram efetuados cinco disparos, resultando nas quatro mortes.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime foi arquitetado pela avó paterna da criança, Bernadete de Lourdes Britto Siqueira Rocha, que teria contratado um grupo de extermínio para eliminar a família materna e, assim, garantir a guarda definitiva da neta.

Júri maratona e manobras defensivas adiam julgamento de outros réus

A sessão do júri, presidida pela juíza Maria Segunda Gomes, na 4ª Vara do Tribunal do Júri, durou cerca de 16 horas e 40 minutos. Iniciada às 10h da quarta, só foi concluída às 2h40 da manhã de quinta. O conselho de sentença, formado por quatro mulheres e três homens, ouviu o depoimento do delegado Erick Lessa, responsável pelas investigações, interrogou os réus e acompanhou os debates entre acusação e defesa antes de se recolher para a deliberação.

“Foi extremamente significativa a condenação. (…) Temos ainda a expectativa da finalização do julgamento da Chacina de Poção”, afirmou o promotor Daniel de Ataíde, que atuou no caso ao lado das promotoras Sandra Lapenda e Themes da Costa.

Três outros réus – a suposta mandante Bernadete de Lourdes Britto Siqueira Rocha, e os intermediários José Vicente Pereira Cardoso da Silva e Leandro José da Silva – também deveriam ter sido julgados na mesma sessão, mas conseguiram adiar o processo. Bernadete alegou que sua advogada estava em licença-maternidade; Leandro, que seu defensor havia renunciado; e José Vicente, advogado que faria autodefesa, disse não ter condições de saúde para atuar.

A juíza concedeu prazo de cinco dias para que os três constituam nova defesa, sob pena de a Defensoria Pública assumir o caso. Um novo júri para esses réus foi marcado para 3 de fevereiro de 2026.

Cronologia da tragédia e da Justiça

Esta não é a primeira condenação relacionada à chacina. Em fevereiro de 2024, outro acusado, Wellington Silvestre dos Santos, já havia sido sentenciado a 74 anos e 8 meses de prisão pelos mesmos quatro homicídios qualificados.

Agora, com a condenação de mais três executores, a Justiça avança no desfecho de um crime que completa uma década no próximo ano. A expectativa do Ministério Público é que, em fevereiro, sejam julgados os últimos três réus, incluindo a figura central apontada nas investigações: a avó que teria encomendado o massacre para garantir a guarda de uma criança.

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