MPPE investiga supostas irregularidades em verbas da Lei Aldir Blanc no município de Exu

Inquérito civil apura suspeitas de favorecimento em editais culturais, falta de transparência e pagamentos suspensos de recursos federais

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da Promotoria de Justiça de Exu, converteu a notícia de fato em Inquérito Civil para apurar possíveis irregularidades em três editais culturais financiados com recursos federais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). A portaria, emitida em 11 de agosto de 2026 e publicada no Diário Oficial Eletrônico do Ministério Público de Pernambuco nesta quarta-feira (12), investiga a transparência na aplicação de verbas, a conduta das comissões de seleção e a análise de propostas específicas no município de Exu, no Sertão do estado. As informações foram extraídas do documento oficial publicado pelo MPPE.

A investigação foca nos Editais nº 001/2025, nº 002/2025 e nº 003/2025, desenvolvidos com repasses da União para o fomento cultural da cidade.

Suspensão de pagamentos e apuração interna pendente

Conforme as informações prestadas ao MPPE pelo Município de Exu, pelo Ministério da Cultura (MinC) e pelo Ministério Público de Contas (MPCO/TCE-PE), a prefeitura havia instaurado a Portaria nº 01/2026 para averiguar a lisura dos certames, determinando cautelarmente a suspensão dos pagamentos aos contemplados.

Contudo, a promotoria constatou que a comissão interna encarregada da investigação municipal não apresentou nos autos o relatório final circunstanciado nem a decisão conclusiva sobre a manutenção ou o levantamento do bloqueio das verbas. De acordo com os dados repassados pelo Ministério da Cultura, o município recebeu R$ 258.939,76 relativos ao primeiro ciclo da PNAB, mas o Relatório de Gestão Final permanecia pendente junto ao órgão federal.

Análise de proponentes e análise de vínculos funcionais

O ponto central do inquérito cível busca avaliar a observância das regras de impedimento, a habilitação de beneficiários e a correta aplicação dos recursos orçamentários. Entre as frentes de fiscalização, o Ministério Público requisitou documentos específicos sobre a participação de dois proponentes:

  • Proponente A. Y.: Envio do processo individual completo de inscrição, seleção, habilitação e formalização do Termo de Execução Cultural, com esclarecimentos sobre a data, a forma de representação legal e a regularização documental.
  • Proponente W. da S. J.: Apresentação dos documentos referentes aos vínculos funcionais mantidos com a Prefeitura de Exu nos períodos anterior e posterior ao certame, além do detalhamento sobre se desempenhou função administrativa vinculada à organização, processamento ou julgamento dos editais.

Determinações e diligências da promotoria

A promotora de justiça Gabriela Tavares Almeida estabeleceu os seguintes encaminhamentos e prazos formais para a obtenção de dados e andamento do procedimento:

AçãoDescrição
Documentação municipalEnvio, em até 10 dias pela Prefeitura de Exu e Secretaria de Cultura e Turismo, da cópia integral da apuração promovida pela Portaria nº 01/2026, com atas, relatórios e decisão final.
Situação dos pagamentosPrestação de informação sobre o estado atual dos repasses financeiros dos editais, relacionando eventuais beneficiários, valores e datas em caso de liberação.
Conciliação financeiraApresentação de quadro detalhado dos recursos da PNAB (valor transferido, rendimentos, gastos operacionais, saldo e repasses), com extratos bancários.
Comissão de seleçãoApresentação das declarações de impedimento ou suspeição dos integrantes da comissão julgadora, bem como das atas de análise.
Consulta ao MinCPedido de informações atualizadas ao Ministério da Cultura quanto à análise do Relatório de Gestão Final e existência de ressalvas na execução orçamentária.

Dados do procedimento:

  • Número: Inquérito Civil nº 01783.000.126/2026 (Portaria nº 01783.000.126/2026)
  • Órgão: Promotoria de Justiça de Exu/PE
  • Data da portaria: 11 de agosto de 2026 (DJe-MPPE de 12/08/2026)
  • Autoridade responsável: Gabriela Tavares Almeida (Promotora de Justiça)

Imagem ilustrativa – Foto: Magnific

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