MPPE investiga suspeita de clonagem de assinaturas e litigância predatória em Orocó

Inquérito civil apura suposta fraude em procurações, uso de documento falso e prejuízos a idosos na comarca

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da Promotoria de Justiça de Orocó, converteu uma Notícia de Fato no Inquérito Civil nº 01689.000.003/2026 para investigar suposta clonagem de assinaturas, uso de documento falso e litigância predatória na comarca local. As informações foram extraídas do Diário Oficial do Ministério Público de Pernambuco, publicado nesta sexta-feira (2). A apuração visa resguardar direitos de consumidores e pessoas idosas que teriam sido vitimadas por procedimentos irregulares em instrumentos procuratórios.

Origem da investigação e indícios apurados

A investigação teve início a partir de um ofício encaminhado pela Vara Única da Comarca de Orocó, assinado pelo juiz substituto Lucas Pinheiro Madureira. O documento judicial notificou a identificação de um padrão atípico de litigiosidade.

Entre os pontos levantados pelo MPPE, destacam-se:

  • Volume de processos: O advogado investigado figura como patrono em 409 processos na Comarca de Orocó. Desses, 92% apresentam classificação de elevado ou médio risco de constituírem demandas predatórias. Há ainda o registro de 1.503 processos distribuídos nas comarcas vizinhas de Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista.
  • Suspeita de adulteração: Foi constatada a existência de indícios de falsificação e clonagem de assinaturas em procurações e contratos de honorários por meio de reprodução digital não autorizada, inclusive utilizando imagens de documentos de identidade dos próprios outorgantes.
  • Processos e vítimas: Foram identificados 26 processos específicos em Orocó com suspeita de fraude documental, envolvendo cidadãos em situação de hipervulnerabilidade, como aposentados e pensionistas.
  • Ações penais em andamento: O documento aponta que o profissional já é alvo das ações penais nº 0000726-82.2025.8.17.2900 e correlatas, na Comarca de Lagoa Grande/PE, devido à apuração de 14 condutas delitivas ligadas a fraudes grafotécnicas.

Providências e determinações do MPPE

Diante dos fatos, a promotora de Justiça Tanusia Santana da Silva determinou uma série de medidas instrutórias para o prosseguimento do inquérito civil:

AçãoDescrição da Providência
Perícia GrafotécnicaRequisição urgente ao Instituto de Criminalística de Pernambuco para realização de perícia em cópias de alta resolução das procurações e documentos.
Oitiva de EnvolvidosInclusão em pauta para depoimento das pessoas afetadas pelas procurações sob suspeita na comarca.
Ofício à OABSolicitação de informações à Subseção da OAB em Petrolina, no prazo de 15 dias, sobre eventuais representações disciplinares ou medidas acautelatórias.
Comunicação ao JudiciárioEnvio de cópia da portaria ao juízo da Comarca de Orocó para juntada aos autos dos processos listados e eventual subsidiação de suspensões processuais.

Dados do procedimento:

  • Número: Inquérito Civil nº 01689.000.003/2026
  • Órgão: Promotoria de Justiça de Orocó/PE
  • Data da portaria: 28 de setembro de 2026 (Publicado no DJe-MPPE em 02/10/2026)

Litigância predatória é o uso abusivo e sistemático da Justiça, geralmente por meio do ajuizamento em massa de ações semelhantes, muitas vezes sem fundamento ou individualização adequada.

O objetivo pode ser pressionar a parte contrária, obter vantagens indevidas ou explorar o funcionamento do Judiciário.

Importante: ter muitos processos não significa, por si só, litigância predatória. É necessário analisar o conjunto de circunstâncias e o possível abuso do direito de ação.

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