O futuro da medicina reprodutiva ganha atenção no Recife com o 30º Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (CBRA), o maior evento do segmento da América Latina, que neste ano, acontecerá na capital pernambucana entre os dias 9 e 12 de setembro.
O Brasil, como se sabe, ainda não possui uma lei específica aprovada pelo Congresso Nacional que regulamente a reprodução assistida. A prática é orientada por resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM) — atualmente a Resolução CFM nº 2.320/2022 — e por normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Embora existam projetos de lei em tramitação as resoluções do CFM e o Código de Ética Médica suprem, atualmente, essa lacuna regulatória.
Existem muitas questões consideradas entraves para maiores avanços: pautas como quem pode recorrer à reprodução assistida, o limite de idade para gestação, a doação de gametas, a gestação por substituição (“barriga solidária”), o destino e o descarte de embriões, entre outras, continuam gerando debates, polêmicas e dilemas jurídicos . E é para aprofundar essas discussões e promover a troca de conhecimentos na área que o CBRA 2026 reunirá palestras, debates, painéis, cursos, workshops, apresentações de trabalhos científicos e mesas-redondas com renomados especialistas brasileiros e internacionais.
Um grupo de 13 palestrantes de diversos países da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina já confirmaram presença para compartilhar experiências e conhecimentos.
Entre os convidados internacionais estão os espanhóis Andreu Vives, Fábio Cruz, José Remohí, Nasser Al-Asmar e Nikolaos Polyzos; Birol Aydin (Eslováquia); Daniela Nogueira e René Frydman (França); Diego Marín (Estados Unidos); Human Fatemi (Dubai); Julio Dias Pinillos (Peru); Santiago Giordana (Argentina); e Stefano Bettocchi (Itália).
Reprodução Assistida
A programação contará com uma parceria voltada para cursos exclusivos sobre infertilidade masculina, ministrados pelo médico especialista em reprodução humana Carlos Gilberto Almodin. O paraense é um dos nomes de destaque da área. Em 1979, após o nascimento do primeiro bebê de proveta, ampliou seus estudos e, em 1986, obteve a primeira gestação por fertilização in vitro realizada por uma equipe totalmente brasileira. Também é o criador de uma técnica inédita no mundo, capaz de devolver a fertilidade a mulheres jovens que ficaram estéreis após tratamentos oncológicos.

“Teremos essas referências mundiais do segmento para enriquecer o debate sobre o que há de mais avançado na fronteira da ciência. A programação acompanha a evolução da medicina reprodutiva nas últimas décadas e dialoga com a medicina dos quatro ‘P’: preditiva, preventiva, personalizada e participativa, na qual o cuidado reprodutivo passa a considerar o paciente de forma integral”, explica a médica pernambucana Altina Castelo Branco, referência na área e presidente do Congresso.
Segundo Altina, a escolha do Recife como sede do congresso reforça o protagonismo de Pernambuco na medicina reprodutiva das regiões Norte e Nordeste. O Estado concentra a maior parte da infraestrutura especializada da região e abriga clínicas de referência nacional, consolidando-se como um importante polo de atendimento em reprodução assistida.
Ao mesmo tempo, especialistas destacam que o acesso aos tratamentos de alta complexidade ainda representa um dos principais desafios no país. A maior parte dos serviços de reprodução assistida está concentrada na rede privada, enquanto a oferta pelo Sistema Único de Saúde (SUS) permanece restrita a poucos centros especializados.
As inscrições para o 30º Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (CBRA) estão disponíveis no site oficial do evento. https://sbracongressos.com.br/


