Promessas milagrosas e pirâmide financeira colocam fabricante de colchões na mira do Ministério Público de Pernambuco

Inquérito civil investiga se a Nipponflex cometeu práticas abusivas contra consumidores e representantes comerciais na capital

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da 18ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital, converteu o procedimento preparatório em Inquérito Civil para apurar suspeitas de graves irregularidades comerciais e contratuais. A portaria de instauração foi publicada nesta quinta-feira (18) no Diário Oficial Eletrônico do MPPE, tendo como alvo a pessoa jurídica Nipponflex Indústria e Comércio de Colchões Ltda. As informações foram extraídas do documento oficial emitido pelo órgão ministerial.

A investigação teve origem a partir de relatos consolidados na Notícia de Fato nº 02053.001.844/2025. O procedimento apura se a empresa atua de forma abusiva e ilegal tanto na relação com seus representantes comerciais quanto com o público consumidor no Recife.

Indícios de pirâmide, doutrinação e falsas promessas de cura

O ponto central da investigação aberta pelo Ministério Público envolve uma série de práticas comerciais e trabalhistas potencialmente ilícitas. Os principais pontos indicados na portaria de instauração são:

  • Falsas alegações de saúde: Suspeita de venda de filtros de água acompanhados de promessas infundadas e enganosas de cura de doenças, além de práticas de doutrinação.
  • Irregularidades trabalhistas: Indícios de estabelecimento de um vínculo empregatício disfarçado com os colaboradores da marca.
  • Modelo de negócio suspeito: Sinais de operação sob o formato de esquema de pirâmide financeira.
  • Violação ao Código de Defesa do Consumidor: As condutas contrariam o artigo 6º, inciso IV, da legislação consumerista, que assegura a proteção contra publicidade enganosa, métodos coercitivos e cláusulas abusivas.

Providências e requisições aos órgãos de controle

O promotor de Justiça Solon Ivo da Silva Filho determinou que o cartório da promotoria adote diligências imediatas para coletar provas e analisar a extensão das condutas da empresa na localidade nos últimos meses.

Órgão / DestinatárioAção RequeridaPrazo
Procon RecifeEnvio de informações detalhadas sobre a existência de reclamações registradas contra a Nipponflex nos últimos 12 meses relacionadas aos fatos investigados.10 dias úteis
Cartório da PromotoriaCertificar formalmente se há outras queixas ou procedimentos contra a referida empresa guardados no acervo interno da unidade nos últimos 12 meses.Imediato
Conselho Superior e Corregedoria do MPPEComunicação por via eletrônica a respeito da instauração oficial do inquérito civil para acompanhamento.Imediato

As medidas visam garantir a transparência, a harmonia e o respeito à dignidade, saúde e segurança dos consumidores no mercado local, conforme preceitua a política nacional das relações de consumo.

Dados do procedimento:

  • Número: Inquérito Civil nº 02053.001.844/2025
  • Órgão: 18ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital (Promoção e Defesa dos Direitos do Consumidor) / MPPE
  • Data da portaria: quarta-feira (17) (Publicado no DJe-MPPE em 18/06/2026)

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