Sertaneja de Carnaíba, Janielly Nunes é pré-candidata ao Quinto Constitucional e defende representatividade feminina no TJPE

Advogada, professora e mestranda, Janielly destaca trajetória na advocacia, experiência em mais de 40 comarcas e afirma que pretende disputar a vaga aberta com a aposentadoria do desembargador Eduardo Sertório Canto

A advogada Janielly Nunes, natural de Carnaíba, no Sertão de Pernambuco, confirmou sua pré-candidatura à vaga destinada à advocacia no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) pelo Quinto Constitucional. A vaga foi aberta com a aposentadoria do desembargador Eduardo Sertório Canto. Pelo procedimento previsto na Constituição Federal, a OAB Pernambuco formará inicialmente uma lista sêxtupla com seis candidatos. Em seguida, o TJPE reduzirá a relação para uma lista tríplice, que será encaminhada ao Governo de Pernambuco, responsável pela nomeação do novo desembargador ou da nova desembargadora.

Raízes no Sertão marcam a trajetória

Filha de Carnaíba, Janielly afirma que suas origens no Sertão continuam sendo parte fundamental de sua identidade. Ela contou que viveu no município até os 14 anos, quando se mudou para o Recife para cursar Direito, em uma época em que a região ainda não contava com cursos superiores na área.

Apesar da mudança, destaca que mantém forte vínculo com sua terra natal e retorna frequentemente ao Sertão, onde reside sua avó, de 96 anos, responsável por sua criação.

“É minha terra, meu ponto de partida, o meu sertão”, resumiu ao falar sobre sua infância.

Currículo reúne experiência na advocacia, setor público e docência

Graduada em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Janielly é especialista em Processo Civil pela Faculdade Luís Mário Moutinho e atualmente é mestranda no Programa de Pós-Graduação da Unicap.

Sua trajetória profissional inclui passagens pela Justiça Federal de Pernambuco, onde atuou como servidora por cinco anos, além da experiência como técnica fazendária da Prefeitura de Olinda e conciliadora do Procon de Olinda.

Atualmente exerce a advocacia, é professora de Processo Civil, palestrante e membra da Associação Brasileira de Ensino do Processo (ABEP).

Segundo a advogada, conhecer tanto a rotina da advocacia quanto a atuação interna do Judiciário contribui para sua prática profissional e para o ensino.

Atuação voltada aos mutuários da Cohab e dos chamados “prédios-caixão”

Entre as áreas de atuação, Janielly destacou o trabalho desenvolvido na defesa de mutuários de Pernambuco, especialmente proprietários de imóveis da Cohab e dos chamados “prédios-caixão”, construções das décadas de 1970 e 1980 que apresentaram problemas estruturais.

Ela explicou que sua atuação consiste em comprovar vícios de construção para garantir indenizações aos proprietários, citando como exemplo um caso envolvendo um edifício interditado em Paulista por risco de desmoronamento.

Inteligência artificial e modernização do Judiciário

Ao abordar os impactos da tecnologia na advocacia, Janielly afirmou que vê a inteligência artificial como uma ferramenta importante para aumentar a produtividade dos profissionais do Direito.

Segundo ela, recursos tecnológicos podem auxiliar na organização e no resumo de processos, desde que o conteúdo produzido passe por revisão humana.

Pré-candidatura ao Quinto Constitucional

Janielly também relembrou sua participação na última disputa pelo Quinto Constitucional da advocacia em Pernambuco. Ela informou que percorreu as 29 subseccionais da OAB Pernambuco durante a campanha, experiência que classificou como enriquecedora por permitir contato direto com advogados de diferentes regiões do estado.

Na ocasião, recebeu 4.222 votos, sendo a candidata mais votada nas subseccionais de São José do Egito e Afogados da Ingazeira.

Questionada sobre a nova vaga aberta no Tribunal de Justiça, confirmou que pretende disputar novamente.

Segundo a advogada, sua candidatura busca representar profissionais que vivenciam diariamente a realidade da advocacia e suas dificuldades.

Representatividade feminina

Ao comentar a disputa, Janielly destacou um aspecto histórico do Quinto Constitucional em Pernambuco. De acordo com ela, até hoje nenhum representante indicado pela advocacia ao Tribunal de Justiça de Pernambuco por meio do Quinto Constitucional foi uma mulher.

Para a pré-candidata, ampliar a presença feminina na Corte significa incorporar novas perspectivas ao Judiciário.

“Gostaria de ser essa primeira mulher, vinda do Sertão, a ocupar essa cadeira”, afirmou.

Como funciona a escolha pelo Quinto Constitucional

O Quinto Constitucional é um mecanismo previsto no artigo 94 da Constituição Federal que reserva parte das vagas dos tribunais brasileiros para integrantes da advocacia e do Ministério Público.

No caso da vaga destinada à advocacia no TJPE, o processo ocorrerá em três etapas:

  • A OAB Pernambuco realiza a eleição da lista sêxtupla;
  • O Tribunal de Justiça de Pernambuco reduz a relação para uma lista tríplice;
  • A governadora de Pernambuco escolhe e nomeia o novo desembargador ou a nova desembargadora dentre os três nomes encaminhados pelo TJPE.

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