EXCLUSIVO | Quinto Constitucional: interior decidiu lista sextupla

Resultado do Quinto Constitucional revela uma disputa menos concentrada na Seccional-PE do que a votação geral pode sugerir. Nas 29 subseções, candidatos ampliaram significativamente suas votações e alguns tiveram no interior a principal fonte de votos.

A votação para a lista sêxtupla do Quinto Constitucional da OAB-PE terminou nesta terça-feira (6) com 14.836 advogados votantes, de um universo de 29.560 habilitados. Quase toda a votação ocorreu pela internet: 14.825 votos foram registrados pela web e apenas 11 presencialmente.

O resultado geral, entretanto, esconde uma característica importante da eleição: a força das subseções espalhadas pelo Estado.

A chamada Seccional-PE registrou 7.698 votantes, enquanto as 29 subseções reuniram, somadas, 7.138 votantes. Na prática, as subseções responderam por 48,1% de todos os eleitores que participaram da votação, contra 51,9% concentrados na Seccional.

O peso das subseções fica ainda mais evidente quando se observa a quantidade de votos atribuídos aos candidatos. Como cada eleitor podia votar em vários nomes, o número total de votos nos candidatos não corresponde ao número de eleitores. Na Seccional foram registrados 28.657 votos válidos destinados aos candidatos. Nas subseções, esse número chegou a 30.583.

Ou seja: as subseções produziram 51,6% dos votos destinados aos candidatos, superando a Seccional, que concentrou 48,4%.

Janielly é o principal exemplo

A candidata Janielly Nunes, primeira colocada no resultado geral, terminou com 6.829 votos. Desse total, 4.316 vieram das subseções, contra 2.513 obtidos na Seccional.

Isso significa que aproximadamente 63% da votação de Janielly veio de fora da Seccional-PE.

O desempenho não foi apenas quantitativo. Janielly venceu em 17 das 29 subseções.

Em algumas delas, a vantagem foi expressiva. Em Afogados da Ingazeira, por exemplo, recebeu 123 dos 130 votos válidos destinados aos candidatos, alcançando 28,08% dos votos contabilizados para os nomes da disputa. Em Araripina foram 133 votos; em Caruaru, 654; em Arcoverde, 205; e em Petrolina, 342.

O interior também mudou o resultado de outros candidatos

O fenômeno não foi exclusivo de Janielly.

Jorge Wellington teve 3.198 votos no total, mas 2.464 foram registrados nas subseções. Assim, cerca de 77% de sua votação veio das subseções.

O candidato teve desempenhos particularmente fortes em Salgueiro, onde foi o primeiro colocado com 154 votos, e em Garanhuns, onde alcançou impressionantes 494 votos.
Diana Câmara, terceira colocada no resultado geral, também teve maioria de sua votação nas subseções: 3.273 dos 5.359 votos, ou aproximadamente 61%.

Ela venceu sete subseções, incluindo Gravata, Timbaúba, Surubim, Belo Jardim, Serra Talhada, Santa Cruz do Capibaribe e Palmares. Em Serra Talhada, por exemplo, obteve 129 votos e terminou à frente de Janielly.
Leonardo Oliveira também recebeu a maior parte de seus votos nas subseções: 3.262 contra 2.198 na Seccional.

Seccional favoreceu outros nomes

O comportamento da votação foi diferente entre os candidatos.

Na Seccional-PE, Luciana Brasileiro foi a mais votada, com 2.717 votos, seguida por Alexandre Bartilotti, com 2.578, e Janielly Nunes, com 2.513.

Para Luciana, a Seccional representou uma parcela maior de sua votação. Dos 4.426 votos obtidos no Estado, 2.717 vieram da Seccional e 1.709 das subseções.

O mesmo ocorreu com Alexandre Bartilotti: 2.578 dos seus 3.863 votos foram registrados na Seccional.

A comparação mostra, portanto, que não existe um único mapa eleitoral para o Quinto. Há candidatos cuja força está mais concentrada na Seccional e outros que construíram uma parcela decisiva da votação nas subseções.

Participação também chama atenção

Outro dado que merece atenção é a participação proporcional.

Entre as subseções, algumas registraram índices de comparecimento muito superiores à média estadual de 50,19%.

São José do Egito teve 90,59% de participação, enquanto Araripina chegou a 89,51% e Afogados da Ingazeira a 80,75%. Em Limoeiro, 76,61% dos habilitados votaram; Barreiros teve 77,17%; Arcoverde, 74,36%; e Garanhuns, 73,69%.
Isso ajuda a explicar por que determinadas subseções, apesar de terem um eleitorado muito menor que o da Seccional, conseguiram exercer influência significativa no resultado final.

E o interior, em sentido estrito?

É preciso fazer uma ressalva para não misturar conceitos.

Nem todas as 29 subseções estão no interior de Pernambuco. O relatório inclui, entre outras, Olinda, Paulista, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca e São Lourenço da Mata, que fazem parte da Região Metropolitana do Recife.

Mesmo retirando essas subseções metropolitanas da conta, o chamado interior em sentido mais estrito reuniu aproximadamente 4,7 mil votantes, o equivalente a pouco mais de 31% de toda a participação estadual.

E a influência política desse eleitorado aparece no desempenho de determinados candidatos.

Jorge Wellington, por exemplo, teve cerca de 74% de seus votos do interior em sentido estrito. Janielly também recebeu mais da metade de sua votação total nessas regiões.

Um mapa eleitoral descentralizado

O resultado deixa uma mensagem clara para a advocacia pernambucana: a eleição não foi decidida apenas pelo peso numérico da Seccional-PE.

As subseções, somadas, representaram praticamente metade dos eleitores participantes e, quando considerados os votos atribuídos aos candidatos, chegaram a superar a votação produzida pela Seccional.

O desempenho de Janielly Nunes é o exemplo mais evidente. Primeira colocada no resultado geral, ela não apenas liderou a votação total como construiu sua vantagem principalmente nas subseções.

O mesmo mapa favoreceu candidatos como Jorge Wellington e Diana Câmara, que encontraram no interior e nas subseções uma parcela decisiva de seus votos.

No fim, os números mostram que o Quinto Constitucional teve uma eleição estadual de fato. A advocacia do interior — somada às demais subseções — não foi apenas coadjuvante: teve peso suficiente para alterar o tamanho das diferenças entre os candidatos e definir quem chegou à frente na primeira etapa da disputa.

Seccional x subseções: candidato por candidato

A tabela abaixo mostra quanto cada candidato recebeu na Seccional e nas 29 subseções.

CandidatoSeccionalSubseçõesTotal% nas subseções
Janielly Nunes2.5134.3166.82963,2%
Leonardo Oliveira2.1983.2625.46059,7%
Diana Câmara2.0863.2735.35961,1%
Isabela Lessa2.3512.4084.75950,6%
Henrique Seixas2.3372.2244.56148,8%
Luciana Brasileiro2.7171.7094.42638,6%
Alexandre Bartilotti2.5781.2853.86333,3%
Fernanda Braga2.0671.2993.36638,6%
Jorge Wellington7342.4643.19877,0%
Ricardo Costa Pinto1.3501.7523.10256,5%
Karenina Moreno1.4771.0852.56242,4%
Leonardo Moreira1.2801.1742.45447,8%
Tallyta Bione9861.3152.30157,1%
Renê Patriota1.3466131.95931,3%
Eliel Gomes8271.2092.03659,4%
Jules Rimet Senna7944261.22034,9%
Cristiano da Fonte50234184340,5%
André Canuto30023153143,5%
Janduir Henrique21419741148,0%

Foto: Felipe Souto Maior/OAB-PE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima
Verified by MonsterInsights