Advogado, professor e ex-presidente da OAB Garanhuns defende valorização das prerrogativas e maior atenção à advocacia do interior
O advogado Jorge Wellington está entre os candidatos à vaga destinada à advocacia no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) pelo Quinto Constitucional. Com mais de 30 anos de atuação profissional, o candidato reúne experiência na advocacia criminal, no Tribunal do Júri, na docência e na atuação institucional junto à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Especialista na área criminal e professor de retórica, Jorge Wellington também presidiu a subseccional da OAB em Garanhuns e atuou na defesa das prerrogativas profissionais. A experiência acumulada ao longo da carreira, especialmente fora da capital, é apresentada por ele como parte da contribuição que pretende levar ao Tribunal.
Uma trajetória construída no interior
A atuação profissional de Jorge Wellington tem forte ligação com Garanhuns e com a advocacia exercida no interior de Pernambuco. À frente da subseccional da OAB, desenvolveu iniciativas direcionadas especialmente aos profissionais em início de carreira.
Entre os projetos mencionados estão o “Prazer OAB”, o “Primeiros Passos” e o “Tutorial”, ações voltadas ao acolhimento, à orientação e à preparação de jovens advogados.
Para o candidato, uma das principais contribuições de sua passagem pela Ordem foi promover uma mudança de mentalidade sobre o papel institucional da OAB, aproximando a entidade dos profissionais e transformando-a, em sua visão, em um espaço de solidariedade e apoio à classe.
A advocacia que não aparece nos processos
Com três décadas de atuação, Jorge Wellington mantém a advocacia criminal e o Tribunal do Júri como áreas centrais de sua carreira. Ele afirma que, mesmo após tantos anos, a preparação para um julgamento ainda provoca expectativa, sentimento que considera parte da responsabilidade assumida pelo advogado.
A experiência também deu origem à palestra “A advocacia que ninguém vê”, na qual aborda aspectos que não aparecem nos autos ou nas sessões de julgamento: horas de estudo, noites de preparação, preocupação com os resultados e a responsabilidade de representar alguém diante da estrutura estatal.
Na avaliação do candidato, o advogado exerce uma função essencial na proteção dos direitos individuais e na garantia de um julgamento justo.
Prerrogativas como garantia do cidadão
A defesa das prerrogativas profissionais é outro eixo presente na trajetória de Jorge Wellington. Ex-procurador de prerrogativas, ele ressalta que essas garantias não devem ser confundidas com privilégios.
Para o advogado, assegurar o livre exercício da profissão significa também proteger o cidadão que depende da atuação da defesa técnica. Ele utiliza a imagem do advogado como um contraponto à estrutura estatal para explicar essa função.
Essa perspectiva também aparece em sua atuação na advocacia criminal, especialmente na defesa do contraditório, da ampla defesa e das demais garantias previstas no ordenamento jurídico.
Entre a insatisfação e a satisfação com a vida
Ao abordar os desafios da profissão, Jorge Wellington também critica a pressão por resultados e a cultura de comparação que, segundo ele, pode afetar principalmente os profissionais mais jovens.
O candidato se define como um “insatisfeito contente”: insatisfeito diante das injustiças e da morosidade do Judiciário, mas satisfeito com a própria trajetória e com a vida que construiu.
A reflexão é relacionada por ele ao conceito apresentado no livro A Sociedade do Cansaço, do filósofo Byung-Chul Han, utilizado para discutir a pressão contemporânea por produtividade e desempenho.
Experiência no Tribunal do Júri
Ao longo de mais de três décadas de advocacia, Jorge Wellington acumulou participação em julgamentos de repercussão e casos que marcaram sua trajetória profissional.
Entre as experiências lembradas está sua atuação no caso Serrambi e no chamado “Júri Épico de Judas”, realizado em contexto artístico, no qual participou como assistente de acusação.
Para o advogado, a atuação no Tribunal do Júri exige preparo técnico, estudo, disposição e coragem — características que considera fundamentais para o exercício da advocacia criminal.
O Quinto Constitucional
Na disputa pela vaga destinada à advocacia no TJPE, Jorge Wellington afirma que pretende levar ao Tribunal a experiência acumulada ao longo de mais de 30 anos de profissão e, especialmente, a perspectiva de quem construiu sua carreira no interior.
A candidatura também representa, segundo ele, a possibilidade de ampliar a presença da realidade da advocacia interiorana nos debates e decisões do Tribunal.
Sua trajetória institucional na OAB e a atuação na defesa das prerrogativas estão entre os elementos que compõem sua proposta para a disputa.
Como funciona a escolha
O Quinto Constitucional está previsto no artigo 94 da Constituição Federal e reserva parte das vagas dos tribunais para integrantes da advocacia e do Ministério Público.
No caso da vaga destinada à advocacia no TJPE, a OAB Pernambuco escolherá seis nomes para formar a lista sêxtupla. O Tribunal de Justiça, posteriormente, selecionará três candidatos para compor a lista tríplice. A etapa final caberá à governadora de Pernambuco, responsável pela escolha de um dos integrantes da lista para ocupar a vaga de desembargador ou desembargadora.


