MPPE abre inquérito civil para investigar suspeita de dano ao erário nas obras do Parque das Graças

43ª Promotoria de Justiça da Capital apura possível inexecução contratual, falta de transparência e pagamentos indevidos em projeto gerido pela URB

Foto: Alessandro Potter/PCR

A 43ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital instaurou um Inquérito Civil para apurar possíveis irregularidades nos contratos e na execução das obras do Parque das Graças, localizado na Zona Norte do Recife. Conforme a portaria de instauração, cujas informações foram extraídas do Diário Oficial do Ministério Público de Pernambuco publicado nesta quarta-feira (3), a investigação mira a atuação da Autarquia de Urbanização do Recife (URB), responsável pela condução do projeto.

O procedimento, tombado sob o nº 01998.001.575/2025 e assinado pelo promotor de Justiça Epaminondas Ribeiro Tavares, resultou da conversão de um procedimento preparatório que teve origem a partir de representação oficial (Ofício nº 18/2025).

Linhas de investigação: Obras inacabadas e “apagão” de transparência

A intervenção do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) fundamenta-se na necessidade de repelir atos que contrariem a moralidade administrativa e o patrimônio público. A portaria lista três eixos centrais sob suspeita na execução do projeto urbanístico:

  • Inexecução contratual: Indícios de que o objeto do contrato não foi entregue em sua totalidade, levantando a suspeita de enriquecimento ilícito decorrente do recebimento de valores públicos sem a devida contraprestação das obras.
  • Falta de transparência: Suposta ausência de publicidade nos atos e aditivos contratuais firmados pela URB com as empresas executoras.
  • Risco de dano ao erário: Potencial desvio de recursos, o que pode enquadrar os agentes públicos e terceiros nas sanções da Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/92), especialmente no artigo 9º, que tipifica o enriquecimento ilícito por auferir vantagem patrimonial indevida.

Trâmites internos e próximas diligências

Como o prazo da fase preliminar expirou sem que todas as dúvidas fossem sanadas, a Promotoria de Justiça oficializou a abertura do inquérito para dar continuidade à colheita de provas e documentos técnicos, determinando os seguintes passos:

Etapa do ProcedimentoÓrgão Notificado / DestinaçãoFinalidade Administrativa
Aguardar PrazoSecretaria da PromotoriaAguarda-se o decurso do prazo para resposta ao expediente específico nº 01998.001.575/2025-0005.
Ciência InstitucionalCSMP e Corregedoria GeralComunicação formal da instauração do Inquérito Civil para os órgãos de controle interno do MPPE.
Apoio TécnicoCAO PPTSRemessa eletrônica da portaria ao Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Defesa do Patrimônio Público.

Após o recebimento e a juntada das respostas aos expedientes enviados à URB, os autos serão conclusos para análise do promotor de Justiça, que avaliará a necessidade de perícias de engenharia in loco no Parque das Graças para constatar se o cronograma físico-financeiro coincide com a realidade das obras.

Dados do procedimento:

  • Número: Inquérito Civil nº 01998.001.575/2025 (Portaria nº 01998.001.575/2025)
  • Órgão: 43ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital (Patrimônio Público) / MPPE
  • Promotor de Justiça: Epaminondas Ribeiro Tavares
  • Data de instauração: 2 de junho de 2026 (Publicado no DJe-MPPE em 03/06/2026)

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