MPPE recomenda adequação de cachês com suspeita de sobrepreço no São João de Gravatá

Recomendação oficial adverte prefeito sobre possíveis ações de improbidade e pede renegociação em contratos de artistas como Bell Marques e Raphaela Santos

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Gravatá, emitiu uma recomendação formal à Prefeitura de Gravatá orientando a renegociação urgente de contratos artísticos para o São João de 2026. O documento, assinado pela promotora de justiça Katarina K. de Brito Gouveia na quarta-feira (10) e publicado no Diário Oficial do MPPE nesta sexta-feira (12), aponta disparidades significativas entre os valores contratados pela municipalidade e a média de mercado levantada pelos órgãos de controle.

A iniciativa alinha-se à Nota Técnica n.º 02/2026 do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Patrimônio Público e Terceiro Setor (CAO PPTS), que define balizas de razoabilidade para o custeio de eventos com dinheiro público, e à Resolução TC N.º 319 do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), que limita os gastos festivos anuais a 3% da Receita Corrente Líquida (RCL) do município.

Amostragem indica distorções de até 95% em contratações por inexigibilidade

A análise técnica realizada pelo CAO PPTS identificou sobrepreço potencial em uma lista de nove atrações contratadas para o ciclo junino. A tabela detalhada pelo Ministério Público aponta os seguintes valores:

ArtistaValor ContratadoValor Médio EsperadoDiferencial em ReaisDiferencial (%)
Noara MarquesR$ 80.000,00R$ 41.704,00R$ 38.296,0095,74%
Bell MarquesR$ 800.000,00R$ 729.820,00R$ 70.180,008,77%
Raphaela SantosR$ 350.000,00R$ 283.157,89R$ 66.842,1119,10%
Capim com MelR$ 150.000,00R$ 99.047,00R$ 50.953,0033,97%
Sirano & SiranoR$ 150.000,00R$ 114.686,00R$ 35.314,0023,54%
Capital do SolR$ 150.000,00R$ 118.740,55R$ 31.259,4527,45%
Santanna O CantadorR$ 180.000,00R$ 156.390,00R$ 23.610,0015,74%
Vitor VaqueiroR$ 80.000,00R$ 62.556,00R$ 17.444,0029,07%
Forró Rei do CangaçoR$ 20.000,00R$ 16.068,30R$ 3.931,7025,51%

Determinações e exigências de transparência para a gestão municipal

A promotoria resolveu recomendar ao prefeito de Gravatá e aos secretários competentes a adoção imediata de seis medidas de austeridade:

  • Adequação contratual: Promover a renegociação emergencial dos cachês que excedem a média histórica, sob pena de retenção preventiva dos valores excedentes.
  • Justificativa qualificada: Caso decida manter os preços originais, o município deve anexar defesas formais robustas com evidências de mercado nos processos de inexigibilidade.
  • Teto para novos contratos: Não celebrar novas contratações cujos valores superem a média histórica do artista corrigida pelo IPCA.
  • Teto fiscal: Garantir que o acumulado das despesas festivas dos últimos 12 meses fique rigorosamente abaixo de 3% da Receita Corrente Líquida.
  • Princípio da impessoalidade: Proibir o uso de palcos ou estruturas custeadas pelo erário para promoção pessoal de agentes políticos, secretários ou familiares.
  • Transparência ativa: Inserir imediatamente os dados analíticos das contratações no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), discriminando detalhadamente os custos de logística, transporte e infraestrutura.

O Ministério Público fixou o prazo improrrogável de 5 dias úteis para que a Prefeitura de Gravatá informe se acatará a recomendação. O descumprimento sujeitará os gestores a uma Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa, além de pedidos de medidas cautelares junto ao TCE-PE para a suspensão dos shows e pagamentos.

Dados do procedimento:

  • Documento: Recomendação Oficial da 1ª Promotoria de Justiça de Gravatá/PE
  • Órgão: Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE)
  • Promotora de Justiça: Katarina K. de Brito Gouveia
  • Data do documento: 10 de junho de 2026
  • Data de publicação: 12 de junho de 2026 (Diário Oficial do MPPE)

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