Em sabatina realizada na OAB-PE, candidato à vaga de desembargador abordou a sobrecarga das câmaras cíveis especializadas, o combate ao tempo morto dos processos e o uso da inteligência artificial no TJPE.
O advogado Alexandre Bartilotti participou, na quarta-feira (30), da sabatina com os candidatos e candidatas ao Quinto Constitucional promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Pernambuco (OAB-PE), no auditório da instituição, no Recife. Durante a arguição sobre o funcionamento do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), o postulante respondeu a questionamentos referentes ao congestionamento processual nas câmaras cíveis especializadas criadas ao final de 2024, além de detalhar propostas de gestão moderna e tecnologia para a Corte.
Ao avaliar o volume de ações em trâmite no Judiciário pernambucano, o candidato apontou que o acervo exige mecanismos eficientes de administração e cooperação. “Passa, acima de tudo, por uma questão de gestão, certo? Se faz necessária uma gestão moderna. E a modernização se faz não só com a questão relacionada à tecnologia, e também à observância do princípio da cooperação”, afirmou Alexandre Bartilotti. O postulante ressaltou que a criação de câmaras especializadas e núcleos 4.0 traz avanços, mas ponderou que a concentração excessiva de demandas sensíveis — como saúde e família — pode comprometer a fluidez dos trabalhos, sugerindo a reavaliação ou redistribuição do acervo conforme estudos estatísticos.
O candidato também destacou iniciativas tecnológicas do tribunal voltadas à eliminação da morosidade nas secretarias, como as ferramentas DigitalJus.pe e Mais Autonomia. “O Mais Autonomia, né, que ele… ele tá sendo empregado paulatinamente, ele vem combater aquilo que a gente chama de tempo morto do processo. Ou seja, é o tempo que o processo está eh… parado na plataforma, esperando, literalmente, né, um humano, um servidor, apertar um botão para engatilhar o ato processual subsequente”, explicou. No encerramento, defendeu limites ao uso de algoritmos na elaboração de decisões. “Deve-se utilizar a inteligência artificial, mas jamais para que ela sirva para afastar o magistrado do cidadão”, pontuou.
O Quinto Constitucional é o mecanismo legal previsto na Constituição Federal que reserva um quinto das vagas de determinados tribunais para membros do Ministério Público e advogados com mais de dez anos de carreira. No processo de escolha do TJPE, a advocacia vota nos candidatos para formar uma lista sêxtupla, que é enviada ao tribunal para redução a uma lista tríplice e, posteriormente, encaminhada para a escolha final da governadora do estado. A eleição da OAB-PE será realizada na próxima terça-feira (6).
Foto: reprodução/YouTube
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