MPPE investiga contratação de escritório de advocacia por inexigibilidade em Escada

Inquérito civil apura regularidade de contrato anulado pela Justiça que gerou condenação de R$ 180.000,00 para devolução ao erário

Foto: Freepik

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Escada, instaurou um Inquérito Civil para apurar a regularidade da contratação direta do escritório Porto & Rodrigues – Advocacia & Consultoria pelo Município de Escada. As informações foram extraídas da Portaria de Instauração de Inquérito Civil nº 02332.000.125/2025, pertencente ao MPPE, publicada no Diário Oficial do Ministério Público de Pernambuco na quarta-feira (27). O documento foi assinado eletronicamente pelo promotor de Justiça da comarca.

A investigação extrajudicial busca examinar os pressupostos legais da inviabilidade de competição, a motivação do ato administrativo, a compatibilidade do objeto e a eventual ocorrência de lesão ao patrimônio público ou ato de improbidade administrativa.

Sentença em ação popular declarou nulidade de contrato

A apuração ministerial teve origem após a remessa de uma cópia integral dos autos da ação popular nº 0000756-16.2020.8.17.2570, oriunda da 2ª Vara da Comarca de Escada. A sentença proferida na referida ação judicial julgou procedentes os pedidos para declarar a nulidade do contrato com efeitos retroativos.

Os fundamentos que motivaram o aprofundamento das investigações pelo Ministério Público envolvem:

  • Devolução de valores: A condenação do escritório contratado à devolução ao erário do montante de R$ 180.000,00, valor que deve ser corrigido e acrescido de juros.
  • Atividade ordinária: O entendimento judicial de que o objeto contratual se referia a atividades inseridas no âmbito ordinário da advocacia pública municipal.
  • Estrutura existente: A constatação de que a contratação ocorreu em um contexto no qual já havia quadro jurídico próprio no Município de Escada.
  • Ausência de singularidade: O reconhecimento pela Justiça da ausência de natureza singular no serviço que foi contratado de maneira direta.

O objeto do ajuste consistia na prestação de serviços jurídicos no âmbito restrito dos tribunais estaduais, regionais, órgãos da administração pública indireta na capital do estado (Recife) e tribunais superiores, com a finalidade de assessorar a Procuradoria do Município e a Controladoria de Escada.

Promotoria requisita dados estruturais e provas de execução

O promotor de Justiça André Jacinto de Almeida Neto considerou juridicamente justificado o aprofundamento das investigações diante da fragilidade documental quanto à comprovação da efetiva execução contratual e da determinação judicial de remessa dos autos para apurar improbidade. Para o esclarecimento dos fatos, foram determinadas diligências com prazos específicos para cumprimento.

As medidas operacionais determinadas na portaria do Ministério Público constam detalhadas na tabela a seguir:

Alvo da MedidaTipo de ExpedienteExigência Documental RequisitadaPrazo
Município de EscadaRequisição OficialCópia integral do procedimento administrativo, incluindo ato de inexigibilidade, justificativa, pareceres jurídicos, ato de ratificação e comprovação de compatibilidade de preços de mercado.30 dias
Município de EscadaRequisição OficialComprovação documental dos cargos e agentes integrantes da estrutura jurídica municipal à época e as razões pelas quais o objeto não poderia ser desempenhado por eles.30 dias
Porto & Rodrigues – Advocacia & ConsultoriaNotificação FormalApresentação de manifestação escrita, cópia do contrato, elementos comprobatórios de notória especialização e relação pormenorizada dos serviços executados (petições e recursos).30 dias

O despacho do órgão ministerial determinou ainda o envio de cópia da portaria de instauração ao Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Defesa do Patrimônio Público (CAO Patrimônio Público), ao Conselho Superior do Ministério Público e à Corregedoria Geral para os devidos fins de controle.

Dados do procedimento:

  • Número: Inquérito Civil nº 02332.000.125/2025
  • Órgão: 1ª Promotoria de Justiça de Escada/PE — MPPE
  • Data da portaria: 22 de março de 2026 (Publicado no DJe-MPPE de quarta-feira (27))

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