MPPE investiga denúncia de violência e irregularidades no atendimento a criança autista em clínica de Garanhuns

Procedimento administrativo apura suposta punição com banhos forçados, ausência de profissionais qualificados e desvio de horário de terapias

O Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE), por meio da 1ª Promotoria de Justiça da Cidadania de Garanhuns, instaurou o Procedimento Administrativo nº 02173.000.150/2026 para apurar denúncias de irregularidades e violação de direitos no atendimento prestado a uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) por uma clínica de saúde especializada. A portaria de instauração foi assinada pelo promotor de justiça Domingos Sávio Pereira Agra na sexta-feira (18) e publicada no Diário Oficial do órgão nesta segunda-feira (21).

A investigação teve origem em uma Notícia de Fato iniciada a partir do atendimento prestado à mãe da criança, que relatou falhas graves na prestação dos serviços terapêuticos e condutas inadequadas praticadas por profissionais do estabelecimento.

Relato de punições físicas e desvio de finalidade nas terapias

De acordo com o documento do Ministério Público, a genitora denunciou que profissionais da clínica estariam submetendo o menor a banhos forçados como forma de punição ou contenção diante de episódios de “desorganização” comportamental.

A representação aponta ainda que as sessões terapêuticas custeadas pelo plano de saúde da família estariam sendo desvirtuadas. Segundo a denúncia, os terapeutas utilizavam o tempo destinado ao atendimento do paciente para realizar reuniões administrativas, deixando os menores desassistidos ou ociosos durante o período contratado.

Suspeita de propaganda enganosa e gravação ambiental

O procedimento investiga também o descumprimento das normas do Código de Defesa do Consumidor e da legislação de proteção à pessoa com deficiência. A mãe da criança relatou que a clínica informava possuir em seu quadro funcional uma nutricionista e uma psicóloga com certificação no método ABA (Análise do Comportamento Aplicada), o que não corresponderia à realidade do tratamento fornecido.

A portaria destaca que a mãe realizou gravações ambientais para registrar os fatos e resguardar os interesses do filho, ato considerado lícito pela jurisprudência por se tratar de proteção a menor absolutamente incapaz.

Encaminhamentos aos órgãos de classe e esfera criminal

Diante da gravidade das condutas informadas, o promotor de justiça determinou a adoção de medidas abrangentes nas esferas cível, disciplinar e criminal:

AçãoDescriçãoDestinatário
Notificação de conselhosEnvio de informações aos conselhos de classe de Fonoaudiologia, Psicopedagogia, Psicomotricidade e Fisioterapia (CREFITO) para apuração ético-disciplinar.Conselhos Regionais de Classe
Investigação criminalRemessa de cópia integral dos autos para providências na esfera penal.Central de Inquéritos de Garanhuns
Acompanhamento internoComunicação oficial para ciência e apoio institucional.CAOs de Defesa da Saúde e do Consumidor / MPPE
Preservação de identidadePublicação oficial com reserva dos nomes dos envolvidos para proteção da intimidade do menor.Diário Oficial do MPPE

Imagem ilustrativa – Foto: Magnific

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