MPPE apura suspeita de fraude em licitação e conluio de gráficas em Belém de Maria

Inquérito Civil mira contratos desde 2017 e aciona Polícia Civil sob sigilo absoluto da denunciante

A Promotoria de Justiça de Lagoa dos Gatos instaurou o Inquérito Civil nº 01680.000.142/2025 para investigar indícios de fraude à licitação e conluio em contratos da Prefeitura de Belém de Maria para fornecimento de materiais gráficos.

O procedimento, formalizado em 08 de março de 2026 pelo promotor de Justiça Rômulo Siqueira França, tem como objeto a apuração de possível fraude envolvendo as empresas:

  • L G Bezerra Cavalcanti Ltda – TOP Gráfica;
  • Palmares Comércio e Serviços Ltda,

apontadas como:

  • atuando no mesmo endereço;
  • integrando, em tese, o mesmo grupo econômico;
  • e mantendo contratos sucessivos com a municipalidade desde 2017.

Constam como investigados:

  • Paulo do Nascimento Silva (prefeito);
  • Rolph Eber Casale Júnior (ex-prefeito);
  • L G Bezerra Cavalcanti Ltda – TOP Gráfica;
  • Palmares Comércio e Serviços Ltda.

A representante da Notícia de Fato tem identidade preservada, com dados em termo sigiloso, em razão de risco real à sua vida e à integridade de sua família, conforme registrado na portaria.

Suspeitas: grupo econômico, contratos continuados e documento eleitoral falso

Na fundamentação, o Ministério Público destaca:

  • indícios de fraude e conluio entre empresas que compartilham o mesmo endereço e apresentam continuidade de contratações com a Prefeitura de Belém de Maria entre 2017 e 2025;
  • documentação apontando que José Aldo Soares da Silva, outro contratado da municipalidade, teve o domicílio eleitoral cancelado por uso de comprovante de residência com indícios de falsidade.

Esses elementos motivaram a abertura do inquérito para verificar:

  • a regularidade dos processos licitatórios;
  • a eventual atuação coordenada das empresas;
  • e possíveis ilícitos civis e penais ligados à Lei nº 14.133/2021 (nova Lei de Licitações) e ao Código Penal.

Sigilo absoluto e proteção da denunciante

A portaria defere o pedido de sigilo absoluto sobre os autos, determinando:

  1. que a identificação nominal da representante seja mantida em pasta apartada e lacrada;
  2. que, em sistemas eletrônicos e publicações oficiais, seja utilizada apenas a expressão “NOTICIANTE SIGILOSA”.

O promotor ressalta que a medida atende a:

  • requerimento expresso da representante;
  • e ao risco real à sua vida e de seus familiares, nos termos do art. 15 da Resolução CSMP nº 03/2019.

Diligências: Prefeitura, Junta Comercial e Polícia Civil

O inquérito civil prevê uma série de providências iniciais:

1. Prefeitura de Belém de Maria: todos os processos licitatórios e contratos

O MPPE requisita à Prefeitura:

  • o envio de cópia integral de todos os processos licitatórios e contratos firmados com as empresas TOP Gráfica (L G Bezerra Cavalcanti Ltda) e Palmares Comércio e Serviços Ltda,
  • no período de 2017 a 2025.

2. JUCEPE: histórico societário das empresas

À JUCEPE (Junta Comercial de Pernambuco), o Ministério Público solicita:

  • o histórico societário atualizado das empresas investigadas,
  • para identificação de sócios e representantes legais, a fim de confirmar ou afastar a hipótese de grupo econômico.

3. Instauração de inquérito policial sob sigilo

O promotor requisita a instauração de inquérito policial à Delegacia de Polícia Civil local, determinando:

  • o envio de cópia integral dos autos (sem os dados nominais da representante no ofício de encaminhamento);
  • a apuração de possíveis crimes previstos na Lei nº 14.133/2021 e no Código Penal;
  • e advertindo formalmente a autoridade policial de que:
    • o procedimento tramita sob sigilo absoluto;
    • a delegacia deve abster-se de registrar o nome da noticiante em sistemas de consulta pública, para resguardar sua segurança.

4. Comunicação institucional e publicação preservando o anonimato

A portaria também determina:

  • envio de cópia da decisão de instauração ao Centro de Apoio Operacional (CAOP) respectivo;
  • comunicação à Secretaria-Geral, ao Conselho Superior do MP (CSMP) e à Corregedoria-Geral (CGMP);
  • publicação no Diário Oficial, preservando o anonimato da representante.

O inquérito civil tem como objetivo central apurar a existência de fraude em licitação e conluio em contratos gráficos da Prefeitura de Belém de Maria e, se confirmadas as irregularidades, responsabilizar os agentes públicos e privados envolvidos.

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